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95% das empresas cotadas adotam boas práticas de gestão

O Relatório Anual de Monitorização do IPCG mostra que as empresas portuguesas estão a adaptar as suas práticas, nomeadamente reforçando o controlo de risco. Existe ainda margem de progressão ao nível das nomeações.

09 Dez 2025 - 07:15

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João Moreira Rato, Presidente do Instituto Português de Corporate Governance (IPCG)

João Moreira Rato, Presidente do Instituto Português de Corporate Governance (IPCG)

As empresas portuguesas alcançaram um acolhimento global de 87% das recomendações do Código do Instituto Português de Corporate Governance (IPCG), valor que sobe para 95% nas empresas cotadas que integram o índice PSI — um desempenho positivo que confirma um bom nível de maturidade da governance entre as empresas acompanhadas. A conclusão consta do Relatório Anual de Monitorização (RAM) 2025, relativo ao exercício de 2024, do IPCG, liderado por João Moreira Rato, divulgado nesta terça-feira, e que confirma a consolidação das boas práticas de governo societário nas empresas portuguesas.

O relatório, elaborado pela Comissão Executiva de Acompanhamento e Monitorização (CEAM), reforça a maturidade do processo de monitorização do Código revisto em 2023, bem como o crescente compromisso das sociedades portuguesas com padrões elevados de transparência, ética e eficácia organizacional.

O RAM assinala ainda a entrada de três novas empresas não cotadas no processo de monitorização (duas delas nos últimos dois anos), um sinal claro de que o Código é cada vez mais procurado como referência de boas práticas por empresas que não operam no mercado de capitais. Esta expansão confirma a relevância transversal da governance enquanto fator crítico de competitividade e sustentabilidade.

No plano dos resultados, destacam-se as áreas de risco, controlo interno e fiscalização, que continuam a apresentar níveis de excelência. Diversas recomendações relacionadas com a identificação, monitorização e mitigação de riscos, bem como com a independência do revisor oficial de contas, atingiram taxas de acolhimento próximas ou iguais a 100%, nomeadamente entre as empresas do PSI.

Também a recomendação relativa à informação sobre a utilização de mecanismos de inteligência artificial nos processos de decisão registou uma evolução significativa, subindo para 89% no universo total e atingindo 100% no PSI, demonstrando que a IA entrou definitivamente na agenda da governação.

Ainda assim, o relatório identifica áreas onde persistem desafios relevantes. Temas como a constituição de comissões especializadas de governo societário e de nomeações, a inclusão de um número mínimo de administradores independentes, o diferimento da remuneração variável dos administradores executivos e a participação não presencial dos acionistas nas assembleias gerais continuam entre as recomendações com menor acolhimento, situando-se entre os 46% e os 66%.

Uma das evoluções mais expressivas do ano verificou-se na recomendação relativa à designação de um coordenador dos administradores independentes, que passou de 50% para 61% no universo global e de 82% para 91% no PSI, reforçando o equilíbrio e a coordenação interna dos conselhos de administração.

“Os resultados deste ano confirmam a consolidação do modelo português de governação e reforçam o papel do Código como instrumento de referência para empresas cotadas e não cotadas”, afirma Duarte Calheiros, presidente da Comissão Executiva de Acompanhamento e Monitorização do Código do IPCG.

“As melhorias registadas, especialmente nas áreas de fiscalização, risco e transparência, mostram que as empresas estão cada vez mais alinhadas com padrões internacionais de boa governação. Ainda assim, persistem domínios onde é necessário avançar, nomeadamente as matérias relacionadas com a independência dos órgãos sociais, a participação dos acionistas em assembleia geral, a existência de comissões especializadas e a qualificação dos processos de nomeação, que continuam a exigir maior maturidade e aprofundamento”, acrescentou.

O RAM é elaborado anualmente pela CEAM, entidade independente responsável por acompanhar a aplicação do Código de Governo das Sociedades do IPCG, com base no princípio comply or explain. O relatório de 2025 (relativo a 2024) avaliou 35 empresas, incluindo todas as que integram o PSI, e reafirma o compromisso do IPCG com a promoção continuada da qualidade e da integridade do governo societário em Portugal.

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