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Ana Botín pede à UE que simplifique a regulação bancária
Num artigo publicado no Financial Times, a CEO do Grupo Santander afirma que o verdadeiro risco que a Europa enfrenta “é o baixo crescimento económico”.
16 Dez 2025 - 16:49
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Ana Botín, CEO do Banco Santander | Foto: Santander
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Ana Botín, CEO do Banco Santander | Foto: Santander
Uma semana depois do Banco Central Europeu (BCE) ter revelado a sua proposta de simplificação do quadro europeu de regulamentação prudencial, Ana Botín desafia a União Europeia (UE) a implementar medidas que potenciem o crescimento. “O verdadeiro risco para a estabilidade financeira da Europa deixou de ser apenas o setor bancário: é o baixo crescimento económico. Um crescimento mais forte é essencial para a segurança, prosperidade e autonomia estratégica da UE”, escreve a responsável.
Segundo Botín, “na semana passada, os ministros das Finanças da União Europeia instaram unanimemente a Comissão Europeia a simplificar e agilizar o quadro regulamentar financeiro do bloco. Pela primeira vez, os 27 Estados-membros reconheceram uma verdade incómoda: o sistema regulatório europeu é demasiado pesado, complexo e lento para os desafios atuais”.
A CEO cita o relatório de Mario Draghi sobre a competitividade, sublinhando a necessidade de simplificação regulatória: “Isto é crítico porque 80% do financiamento das grandes empresas europeias depende do crédito bancário. Restrições nesse financiamento podem ter impactos sistémicos: estima-se que buffers discricionários de supervisão possam reduzir a capacidade de financiamento em 2,7 a 4,1 biliões de euros — equivalente a 100 milhões de empréstimos a PME, 20 milhões de hipotecas ou todo o investimento necessário para a transição verde, digital e de defesa da Europa”.
“Enquanto isso, EUA e Reino Unido já avançaram: Washington tem aliviado elementos do ‘Basel III endgame’ para facilitar empréstimos e investimento, e Londres reduziu as exigências de capital do Banco de Inglaterra para libertar capacidade de crédito. A mensagem é clara: crescimento e estabilidade financeira não são objetivos opostos, mas complementares”, acrescenta Ana Botín.
Para a CEO do Santander, existem três questões essenciais:
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Suspender a sobrecarga regulatória — reduzir exigências de capital redundantes, sobreposições nas regras de níveis 2 e 3 e os “capital add-ons” introduzidos fora do processo legislativo.
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Modernizar o processo de elaboração das regras — incluir análises independentes de custos e benefícios, revisões periódicas e implementação faseada de novas normas; passar a uma regulação mais baseada em princípios, permitindo focar nos riscos reais em vez de preencher formalidades.
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Reformar o modelo de supervisão — dotar os supervisores de um mandato claro para o crescimento e a competitividade, seguindo o exemplo do Reino Unido.
“Estas reformas não comprometem a estabilidade; antes, visam garantir que a regulamentação apoia objetivos mais amplos: crescimento, investimento, competitividade e autonomia estratégica”, sublinha Ana Botín.
A responsável acrescenta: “A Europa possui bancos e empresas de classe mundial com forte capacidade de inovação, mas o quadro regulatório é subótimo. Uma Europa mais dinâmica e competitiva beneficia não só o bloco, mas também a estabilidade global, dado o estreito relacionamento comercial e estratégico com os EUA”.
A mensagem final da CEO do Santander é clara: “A UE pode aproveitar este momento para cortar complexidade desnecessária, aliviar encargos de capital e desbloquear financiamento para a prosperidade futura — ou continuar a gerir riscos atuais com ferramentas obsoletas, à custa da competitividade de amanhã”.
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