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Avisos de Lagarde: “Quaisquer respostas fiscais ao choque dos preços da energia devem ser temporárias, direcionadas e adaptadas”
A presidente do BCE envia recados aos líderes europeus que estão a adotar medidas para reduzir o impacto do aumento dos preços da gasolina e do gás.
19 Mar 2026 - 14:52
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Christine Lagarde, presidente do BCE/Foto: BCE
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Christine Lagarde, presidente do BCE/Foto: BCE
“O Conselho de Governadores destaca a necessidade urgente de fortalecer a economia da zona euro, mantendo simultaneamente finanças públicas sólidas. Quaisquer respostas fiscais ao choque dos preços da energia devem ser temporárias, direcionadas e adaptadas”, afirmou Christine Lagarde nesta quinta-feira, durante a conferência de imprensa em que explicou as razões pelas quais o Conselho do Banco Central deixou inalteradas as taxas de juro nos 2%, pela sexta vez consecutiva.
A presidente do Banco Central Europeu enviou um recado muito claro aos líderes dos governos europeus, Portugal incluído, que estão a recorrer a instrumentos fiscais — como descontos nos impostos sobre os combustíveis, subsídios às botijas de gás ou mesmo a possibilidade de introdução de IVA zero em determinados produtos alimentares — para mitigar o impacto do aumento dos preços da energia no dia a dia dos cidadãos.
“Os riscos para as perspectivas de inflação inclinam-se para cima, especialmente no curto prazo. Uma guerra prolongada no Médio Oriente poderia provocar uma subida mais acentuada e duradoura dos preços da energia do que a prevista atualmente, elevando ainda mais a inflação na zona do euro. Este efeito poderia ser reforçado e tornar-se mais persistente se as expectativas de inflação e o crescimento salarial aumentassem em resposta, se a subida do preço da energia se propagasse para a inflação não energética em maior medida do que a prevista no cenário base, ou se a guerra interrompesse as cadeias de abastecimento globais de forma mais ampla”, referiu a presidente do BCE.
Lagarde reafirmou que “adotaremos uma abordagem baseada em dados e reunião a reunião para determinar a postura adequada da política monetária”, acrescentando que “as nossas decisões sobre as taxas de juro basear-se-ão na nossa avaliação das perspectivas de inflação e dos riscos associados, tendo em conta os dados económicos e financeiros mais recentes, bem como a dinâmica da inflação subjacente e a eficácia da transmissão da política monetária. Não estamos a comprometer-nos antecipadamente com um determinado percurso das taxas”.
“Em qualquer caso, estamos prontos para ajustar todos os nossos instrumentos dentro do nosso mandato, para garantir que a inflação se estabilize de forma sustentável na nossa meta de médio prazo e para preservar o bom funcionamento da transmissão da política monetária”, salientou.
A presidente do BCE admitiu que a guerra no Médio Oriente fará com que a inflação ultrapasse os 2% no curto prazo e, se o conflito persistir, será um fator de erosão do rendimento dos cidadãos.
Lagarde, que nos últimos tempos tinha insistido que o BCE estava “numa boa posição” para enfrentar qualquer adversidade em termos de política económica, ajustou agora o seu discurso: “Reparem que eu já não digo que estamos numa boa posição. O que digo é que estamos bem equipados para lidar com a situação”, concluiu a presidente do BCE.
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