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Banca portuguesa fora do top 5 da exposição ao conflito do Médio Oriente
França lidera com uma exposição de 60,8 mil milhões de euros, seguida da Alemanha com 18,9 mil milhões. Espanha surge em terceiro lugar, com 18,5 mil milhões.
24 Mar 2026 - 07:30
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Setor bancário nacional
São estes os dados mais recentes apurados pela Autoridade Bancária Europeia (EBA) relativamente à exposição direta dos bancos da União Europeia/Espaço Económico Europeu (UE/EEE) a contrapartes localizadas no Médio Oriente, que totalizava 132 mil milhões de euros no final de 2025. Estas exposições incluem cerca de 47 mil milhões de euros em empréstimos e adiantamentos a bancos e outras instituições financeiras e cerca de 33 mil milhões a empresas não financeiras (ENF).
Segundo o relatório da EBA divulgado na segunda-feira, o sistema financeiro europeu mais exposto é o francês, com 60,8 mil milhões de euros (cerca de 46% do total), seguido do alemão, com 18,9 mil milhões (14,3%), e do espanhol, com 18,5 mil milhões (14%). Na quarta posição surgem os bancos italianos, com 13,6 mil milhões, e em quinto lugar as instituições dos Países Baixos, com 12,5 mil milhões.
Os bancos portugueses (Caixa Geral de Depósitos, Millennium bcp, Novo Banco e Santander Totta) apresentam uma exposição pouco significativa àqueles mercados.
De acordo com o relatório da EBA, “embora as exposições permaneçam limitadas (menos de 0,5% do total de ativos dos bancos da UE/EEE), a escalada das tensões pode gerar efeitos secundários, nomeadamente através de preços de energia mais elevados, pressões inflacionistas, crescimento económico global mais fraco e perturbações nas cadeias de abastecimento de matérias-primas”. Estes efeitos seriam particularmente sentidos em setores intensivos em energia, como os transportes, a construção e alguns segmentos da indústria transformadora.
Segundo os resultados do Painel de Riscos (Risk Dashboard – RDB) do quarto trimestre de 2025, o setor bancário europeu mantém-se “robusto, com forte capitalização, elevada liquidez e sólida qualidade dos ativos”.
“As reservas de capital e a rentabilidade continuam a ser as principais linhas de defesa dos bancos. Os ativos ponderados pelo risco aumentaram pouco mais de 1% em 2025, atingindo 10,2 biliões de euros no quarto trimestre, enquanto o rácio de capital principal de nível 1 (CET1, em base transitória ao abrigo do CRR3) permaneceu estável em 16,3%”, refere a EBA.
“O retorno sobre o capital próprio manteve-se em níveis de dois dígitos, em 10,4% (10,5% em dezembro de 2024)”, acrescenta o documento. Recorde-se que, segundo as Estatísticas de Supervisão Bancária para Instituições Significativas do quarto trimestre de 2025, publicadas na semana passada pelo Banco Central Europeu (BCE), o ROE dos bancos portugueses analisados (CGD, Millennium bcp e Santander) estava entre os mais elevados da zona euro, superando os 15%.
Regressando ao relatório da EBA, “a margem financeira líquida (NIM), após cair de 1,66% em dezembro de 2024 para 1,58% em setembro de 2025, subiu para 1,6%, sugerindo que a tendência descendente observada nos trimestres anteriores poderá ter atingido o seu ponto mínimo”.
Segundo a Autoridade Bancária Europeia, “o total de ativos manteve-se estável em 29,1 biliões de euros, enquanto o stock de crédito aumentou mais de 1%, impulsionado sobretudo pelo crédito à habitação e pelo financiamento às pequenas e médias empresas”.
O volume de crédito malparado (NPL) diminuiu ligeiramente para 370 mil milhões de euros, mantendo o rácio de NPL estável em 1,8%. Os empréstimos em Fase 2 continuaram a reduzir-se, atingindo 9,1% (face a 9,3% no terceiro trimestre de 2025), o que indica uma melhoria da qualidade dos ativos antes de eventuais deteriorações associadas a tensões geopolíticas e disrupções nas cadeias de abastecimento.
“As condições de liquidez reforçaram-se ainda mais. O rácio de cobertura de liquidez (LCR) subiu para 163,1% (face a 160,7% no terceiro trimestre de 2025), com os bancos com rácios superiores a 140% a representarem mais de 80% do total. O rácio de financiamento estável líquido (NSFR) aumentou para 126,9%, enquanto o rácio crédito/depósitos continuou a sua trajetória descendente, fixando-se em 104,8%”, conclui a EBA.
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