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Banca tradicional está (pouco) mais preparada para enfrentar fraudes no futuro do que as ‘fintechs’

De acordo com um estudo conduzido pela Feedzai, os bancos alcançam uma pontuação de 68,8% de preparação demonstrada, contra 65,3% das 'fintechs' e bancos digitais.

10 Out 2026 - 08:43

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Foto Pexels

fraude burla

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A banca tradicional demonstra uma maior preparação para lidar com a fraude no futuro do que os seus concorrentes digitais, as ‘fintechs’. Este é o resultado de um estudo da Feedzai, tecnológica portuguesa dedicada ao combate ao crime financeiro, que concluiu que as ‘fintechs’ e os bancos digitais têm uma preparação comprovada de 65,3%, contra 68,8% dos bancos tradicionais.

As empresas de tecnologia financeira apresentam também a maior discrepância entre a preparação demonstrada e a que consideram ter. Olhando para dentro, as ‘fintechs’ e bancos digitais estimaram uma preparação que ascendeu a 79,6%, o que fica 14,3 pontos acima da realidade. Ao mesmo tempo, a banca tradicional apresenta uma disparidade de 12,5 pontos, que a Feedzai não considera significativa.

Também as cooperativas de crédito foram consultadas e analisadas, sendo que ficam no meio. Estas instituições tiveram uma pontuação de 78,6% na componente de autoavaliação da sua preparação, contra uma demonstração real de 66,5%.

No geral, as entidades analisadas reportaram, em média, uma pontuação de 80,2% quando se autoavaliaram e de 66,9% na averiguação da Feedzai.

Segundo explica a empresa tecnológica, a avaliação divide-se em cinco componentes: visão de liderança, ‘network intelligence’, infraestrutura de dados, maturidade da IA e estrutura operacional. As pontuações médias registadas em cada uma destas componentes, respetivamente, foram 78,7, 73,1, 70,9, 64,1, e 59,5.

Desta forma, este Índice de Preparação para a Fraude da Feedzai 2026 resultou numa pontuação geral de 69,3. Este valor resulta da média dos cinco pilares referidos anteriormente, esclarece o estudo inaugural sobre o tópico.

O estudo define ainda uma escala para situar as pontuações. O primeiro patamar – “Despreparado” – fica entre 0 e 25 e corresponde à ausência de uma estratégia para o que está para vir e “lacunas significativas” na maioria ou em todas as capacidades fundamentais. O segundo nível – “Em desenvolvimento” -, dos 26 aos 50, demonstra um investimento inicial, mas ainda com falhas significativas nas operações.

O terceiro patamar – “Capaz” – onde fica a pontuação atribuída pelo estudo, compreende o intervalo dos 51 aos 75. Este corresponde a “bases sólidas” e alerta que o risco daqui em diante não está relacionado com a falta de investimento, mas sim com a complacência.

O quarto e último nível – “Líder” – aplica-se a pontuações dos 76 aos 100 e caracteriza as instituições mais preparadas da indústria, cuja prioridade é manter e expandir esta vantagem, ilustra.

Entre as instituições inquiridas, através dos seus líderes, a larga maioria, 73%, é considerada “Capaz”. Pouco mais de um quarto, 25,5%, é “Líder” e cerca de 1,5% está “Em desenvolvimento”.

O estudo em questão inquiriu 1030 líderes de 12 países entre 13 de julho e 4 de agosto, revela a Feedzai. 60,9% das pessoas eram diretores, vice-presidentes ou vice-presidentes séniores e 39,1% correspondiam ao nível C-suite. Por tipo de instituição, 47,1% estavam associados a ‘fintechs’, 41,4% a bancos e 11,6% a cooperativas de crédito.

Em relação à dimensão das instituições, 15,4% tinha menos de 50 mil milhões de dólares em ativos, 37,9% tinha entre 50 mil milhões e 200 mil milhões, 35,7% estava na faixa dos 201 mil milhões aos 500 mil milhões e, por fim, 11% tinha mais de 501 mil milhões.

Já a distribuição geográfica é relativamente equilibrada, com a região EMEA a ter maior representação, de 30,7%. Segue-se a América Latina, com 25%, a América do Norte, com 24,7%, e a APAC, com 19,7%.

Engenharia social é a maior ameaça, não as vulnerabilidades técnicas

Numa nota introdutória, o CEO da Feedzai, Nuno Sebastião, recorda que, para os criminosos financeiros, “o dinheiro nunca foi só uma coleção de números num ecrã”. “É humano. É um cliente que confiou em nós com algo que levou anos a ganhar e segundos a perder”, sublinha.

Esta linha de pensamento não é meramente especulativa. O estudo demonstra que a engenharia social é apontada por 67% dos inquiridos como uma das maiores ameaças, ficando no lugar cimeiro. É o maior problema em 10 dos 12 países abrangidos pelo estudo. “Esta descoberta confirma que são a coação humana e a manipulação, não as vulnerabilidades técnicas, que estão no centro da luta crítica contra a fraude, hoje em dia”, defende a Feedzai.

Não só a engenharia social surge como a maior ameaça, como é também a que sai mais cara, sendo responsável por 45,2% do montante mapeado no estudo, que analisou mais de 120 mil milhões de transações globais. Em segundo lugar está o roubo de identidade, com 28,6%, seguido pela apropriação de conta, responsável por 20,3%, e as ‘mule account networks’, com 4,9%.

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