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Bancos financiaram com 531 mil milhões setores de elevado risco para as florestas

Relatório da coligação Forests & Finance identifica 314 mil milhões de euros em financiamento à agricultura industrial e 218 mil milhões à exploração mineira desde 2020.

15 Out 2026 - 17:05

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Foto PexelsKarolina Grabowska

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Foto PexelsKarolina Grabowska

Os bancos concederam 595 mil milhões de dólares (cerca de 531 mil milhões de euros) em financiamento a empresas de setores agrícolas e mineiros de elevado risco para as florestas tropicais desde 2020, contribuindo para atividades associadas à desflorestação, à destruição de ecossistemas e a violações dos direitos humanos, segundo um relatório divulgado pela coligação internacional Forests & Finance.

Publicado durante a conferência dos Princípios para o Investimento Responsável das Nações Unidas e a poucos dias de os governos se reunirem para a Conferência das Nações Unidas sobre Biodiversidade (COP17), o relatório ‘Banking on Biodiversity Collapse 2026’ analisa o financiamento de empresas que operam nas regiões de floresta tropical do mundo, num crescendo que se regista desde 2016.

Do montante total escrutinado desde 2020, 351 mil milhões de dólares (cerca de 314 mil milhões de euros) correspondem a financiamento de empresas ligadas a matérias-primas agrícolas de elevado risco para as florestas tropicais, enquanto 244 mil milhões de dólares (cerca de 218 mil milhões de euros) dizem respeito à exploração de metais e minerais.

Esta nova edição alarga também a análise ao café e ao cacau enquanto matérias-primas associadas a riscos para as florestas.

O relatório identifica, por isso, a agricultura industrial e a exploração mineira em grande escala como duas das principais causas da perda de biodiversidade e considera insuficientes as salvaguardas exigidas pelos bancos para proteger as florestas, os sistemas de água doce, os ecossistemas marinhos e os direitos dos povos indígenas e das comunidades locais.

“As florestas, os rios e os recifes não são elementos acessórios: são sistemas de suporte dos quais dependem a economia e a própria vida. Ainda assim, os bancos continuam a financiar a sua destruição”, afirma Stephanie Dowlen, responsável sénior pela campanha florestal da Rainforest Action Network, uma das ONG integrantes da coligação. “Temos de colmatar as falhas de responsabilização e construir sistemas alimentares e energéticos capazes de funcionar a longo prazo, em vez de destruírem os alicerces dos quais todos dependemos”, acrescentou.

O relatório detalha quem são os maiores financiadores e quais as empresas financiadas, evidenciando-se a participação de bancos brasileiros no financiamento do agronegócio e de bancos norte-americanos no financiamento de empresas de mineração.

Entre as principais conclusões do relatório, a pontuação média das políticas bancárias relativas ao financiamento de matérias-primas agrícolas associadas a riscos para as florestas continua a situar-se apenas nos 25%, o que segundo a organização identifica falhas nos compromissos de proteção das florestas, da biodiversidade e dos direitos humanos.

O relatório é divulgado numa altura em que os governos se preparam para avaliar, na COP17, que decorre entre 19 e 30 de outubro na Arménia, a aplicação do Quadro Mundial para a Biodiversidade de Kunming-Montreal. “Os países comprometeram-se a alinhar os fluxos financeiros públicos e privados com os objetivos de biodiversidade. Com os atuais compromissos voluntários das instituições financeiras, não estamos no caminho certo para atingir essa meta. As instituições financeiras têm de reforçar as suas políticas e os governos devem aumentar a regulamentação para garantir que os fluxos financeiros estão alinhados com esses objetivos”, afirma Merel van der Mark, coordenadora da coligação Forests & Finance.

A Forests & Finance apela aos governos que participam na COP17 para que reforcem a regulamentação financeira, exigindo aos bancos e investidores avaliações rigorosas dos riscos para a biodiversidade e dos direitos humanos. Pede também maior transparência no financiamento de setores de elevado risco e a responsabilização das instituições financeiras sempre que o seu financiamento contribua para a destruição ambiental ou para violações de direitos.

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