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Bancos veem intermediários de crédito como parceiros e não como concorrentes

Administradores de bancos rejeitam mudança de paradigma. Em 2024, mais de 50% dos empréstimos são realizados com ajuda de intermediário de crédito.

10 Set 2025 - 15:00

4 min leitura

Os principais bancos portugueses encaram os intermediários de crédito à habitação como parceiros para captarem clientes e não como concorrentes, segundo afirmaram hoje os administradores do BPI, Caixa Geral de Depósitos, Novo Banco, Millennium BCP e Santander Portugal. Na conferência “O futuro do crédito à habitação”, realizada nesta quarta-feira na sede da Impresa (SIC e ‘Expresso’), em Oeiras, os representantes dos bancos consideraram que a intermediação do crédito funciona como uma parceria positiva para as instituições financeiras, porque os profissionais melhoram os processos de concretização dos créditos e ajudam os clientes a compreenderem a informação financeira.

“Passámos a crise financeira, na altura de 2010-2012, e fomos um dos poucos que nunca abandonámos os intermediários de crédito nem os mediadores, por isso, isto é uma parceria que encarámos como parte integrante da nossa estratégia para chegarmos a mais clientes (…) Se [os intermediários] fossem apenas os comissionistas ou se o interesse fosse puramente a transação, eventualmente hoje em dia já não teríamos esta parceria”, sublinhou o CEO do BPI, João Pedro Oliveira e Costa.

Os intermediários de crédito apresentam aos clientes as ofertas de vários bancos concorrentes e não são pagos pelos cidadãos que estão à procura de uma casa e que acabam por contratar um crédito bancário, mas sim pelas entidades bancárias, quando vinculados. No caso de não serem vinculados, pode o cliente pagar para que este faça a recolha das melhores ofertas para si no mercado.

Para Rui Teixeira, administrador do BCP, o papel dos intermediários melhora a literacia financeira, porque os profissionais ajudam os clientes a perceberem a informação que lhes é prestada pelos bancos. “Só traz valor acrescentado ao sistema”, disse, referindo que o BCP teve “sempre” muita intermediação.

Luís Pereira Coutinho, administrador da CGD, vincou que os intermediários “estão muito perto do cliente” quando este está a comprar uma casa, têm uma boa compreensão sobre as suas dificuldades e interesses, exercendo “um papel fundamental” entre as duas partes. O administrador do BCP concordou que o crescimento do setor dos intermediários “não é uma ameaça para os bancos” e sublinhou que “não houve uma alteração de paradigma”. A diferença que se evidencia é que o setor “passou a ser regulado, supervisionado, e isso é que faltava”, contrapôs.

Também Miguel Carvalho, administrador do Santander, considerou que “não há uma mudança de paradigma”. A relação que se estabelece com o intermediário é “uma forma natural e saudável de captar clientes”. “O processo [de aprovação dos empréstimos] é muito rápido, tão rápido que os próprios clientes não querem que seja tão rápido”, ironizou, dizendo que por vezes os clientes precisam de tempo para pensar ou para fazer as contas aos impostos a pagar.

Rui Fontes, administrador do Novo Banco, referiu que os bancos, “de uma maneira geral”, estão a conseguir responder rapidamente. Quando há intermediários de crédito, “conseguimos gerir dossiers mais complexos”, notou.

O CEO do BPI sublinhou, por seu lado, que a concessão de crédito bancário representa uma parceria de “médio-longo prazo” em que os clientes contratam seguros, abrem uma conta à ordem, contratam um cartão e procuram bancos que funcionem e que sejam sólidos. Para os bancos, são uma possibilidade de fazer negócio “além do crédito à habitação”, notou, frisando que a escolha de uma casa não é o único “tema do momento”.

De acordo com dados divulgados durante a conferência, mais de 50% dos empréstimos à habitação são concretizados com intermediação de crédito, tal como indicou o Banco de Portugal no início de julho.

 

Agência Lusa com LAA

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