Subscrever Newsletter - Mantenha-se atualizado sobre tudo o que se passa no sistema financeiro.

Subscrever Newsletter

Mantenha-se atualizado sobre tudo o que se passa no sistema financeiro.

Submeter

Ao subscrever aceito a Política de Privacidade

4 min leitura

BCE adverte que o risco quântico para a criptografia é uma realidade

O vice-presidente do Conselho de Supervisão do BCE alertou, nesta quarta-feira, que a IA não é o único desafio para a resiliência operacional da banca.

30 Set 2026 - 13:54

4 min leitura

Frank Elderson membro da Comissão Executiva do BCE e vice presidente do Conselho de Supervisão do BCE | Foto BCE

frank elderson bce

Frank Elderson membro da Comissão Executiva do BCE e vice presidente do Conselho de Supervisão do BCE | Foto BCE

O Banco Central Europeu (BCE) adverte que o risco quântico para a criptografia é uma realidade, que pode afetar bancos, governos, empresas e a custódia de ativos digitais. O vice-presidente do Conselho de Supervisão do BCE, o holandês Frank Elderson, afirmou nesta quarta-feira em Bali que “o desafio para a resiliência operacional dos bancos não se limita à Inteligência Artificial” (IA), referindo que “a computação quântica já se vislumbra no horizonte e poderia estar amplamente disponível até 2030”.

“Hoje em dia, é possível recolher e armazenar informações sensíveis e criptografadas com a expectativa de que os avanços tecnológicos futuros permitam decifrá-las”, o que é conhecido como “recolher agora, decifrar mais tarde”, explicou Elderson, que é membro da Comissão Executiva do BCE. Dessa forma, os atacantes podem roubar e armazenar hoje dados codificados para os decifrar no futuro, quando estiverem disponíveis máquinas quânticas suficientemente potentes.

Por isso, o responsável enfatizou que “para antecipar esses avanços, os supervisores precisam de colaborar cada vez mais com especialistas que vão muito além do setor financeiro”, em particular especialistas em criptografia e computação quântica. A computação quântica é um risco para a criptografia, que já é muito utilizada nos bancos para proteger transações e para controlar o acesso a vários sistemas e serviços.

Em poucos anos, a computação quântica poderia chegar a poder quebrar a criptografia atual, ou seja, um computador quântico com potência suficiente poderia aceder a transações protegidas ou interromper serviços bancários. Os especialistas concordam que a transição para uma criptografia que possa resistir à computação quântica também levará vários anos, ou seja, levará anos para desenvolver e implementar novos algoritmos matemáticos resistentes a ataques quânticos.

Por isso, Elderson diz que a preparação deve começar já, para que a computação quântica não avance mais rapidamente que a criptografia atual. Dessa forma, poderiam ser protegidas infraestruturas críticas de diferentes setores, como o financeiro, as redes elétricas e o da saúde, por exemplo.

As criptomoedas armazenadas em endereços antigos ou com chaves públicas expostas poderiam ser roubadas se os protocolos da rede não forem atualizados.

As autoridades supervisoras europeias – EBA, EIOPA e ESMA – advertiram recentemente que os computadores quânticos podem tornar-se muito rapidamente num risco real. Na sua atualização de riscos de outono, publicada em 23 de setembro, os supervisores europeus dizem que a computação quântica “poderia gerar riscos importantes ao minar os sistemas criptográficos amplamente utilizados para proteger comunicações, transações, bases de dados e redes de cadeias de blocos”.

A computação quântica, que processa informações usando as leis da física quântica em vez da eletrónica clássica, é outro campo tecnológico em rápido desenvolvimento como a IA. A utilização da mecânica quântica permite processar problemas matemáticos complexos a uma velocidade impossível de atingir com os computadores clássicos.

Os ‘bits’ da computação clássica podem estar em 1 ou em 0, mas apenas um estado de cada vez, enquanto os ‘bits’ quânticos (o ‘qubit’) podem ter os dois estados simultaneamente, permitindo realizar várias operações ao mesmo tempo, de acordo com o número de ‘qubits’.

Apesar dos riscos, os supervisores europeus reconhecem que a computação quântica “poderia transformar em breve o setor financeiro em áreas-chave através da otimização dos processos financeiros, da supervisão da fraude e do cumprimento normativo, bem como da fixação de preços”. Num momento em que se fala em travar o desenvolvimento da IA, os supervisores já começam a advertir que o risco quântico pode ser real mais rapidamente do que qualquer aplicação comercialmente viável.

 

Agência Lusa

Editado por Jornal PT50

Subscrever Newsletter

Mantenha-se atualizado sobre tudo o que se passa no sistema financeiro.

Ao subscrever aceito a Política de Privacidade