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BCE já começou a dialogar com os bancos sobre a capacidade de absorção de perdas decorrentes de riscos climáticos

Carta da presidente do Conselho de Supervisão do BCE a um deputado europeu refere que os próximos testes de stress têm de ter em conta a exposição bancária aos fenómenos naturais

25 Jan 2026 - 10:45

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Foto: Pixabay

Foto: Pixabay

O Banco Central Europeu (BCE) está preocupado com o facto de os bancos poderem adiar a adaptação das suas políticas de negócio aos riscos climáticos. Uma carta subscrita por Claudia Buch, presidente do Conselho de Supervisão do BCE, em resposta às questões colocadas por um deputado europeu, revela que o BCE já iniciou um diálogo com as instituições financeiras com o objetivo de abordar os desafios associados à implementação de testes de stress sobre riscos climáticos.

O supervisor pretende avaliar a capacidade de absorção de perdas dos bancos europeus quando confrontados com mudanças climáticas profundas.

Na missiva, a responsável do BCE confirma que “a capacidade dos bancos para gerir adequadamente os riscos relacionados com o clima e a natureza tem sido parte das prioridades de supervisão da Supervisão Bancária do BCE e continuará a sê-lo durante o ciclo 2026-2028”.

“Os riscos de transição surgem, entre outros fatores, quando as políticas climáticas são adiadas. Os cenários de risco climático preparados pela Network for Greening the Financial System (NGFS) mostram que, quanto mais tempo se adiar a ação climática e quanto mais abrupta for a eventual resposta política, maiores serão os riscos associados para a economia e para o sistema financeiro. Como tal, estes cenários sublinham a importância de considerar uma transição desordenada ou atrasada rumo às metas de neutralidade carbónica no desenvolvimento de análises prospetivas de cenários”, refere Claudia Buch.

A responsável acrescenta ainda que “o BCE supervisiona se as instituições dispõem de estratégias, políticas, processos e sistemas robustos para a identificação, medição, gestão e monitorização dos riscos climáticos e da natureza ao longo de horizontes de curto, médio e longo prazo, com uma duração mínima de 10 anos, e se testam a sua resiliência aos impactos negativos de longo prazo de fatores climáticos e da natureza, sob cenários de base e adversos, dentro de um determinado período, começando pelos fatores climáticos”.

Em conformidade com o artigo 87.º-A, n.º 5, da Diretiva de Requisitos de Capital (CRD), as novas Orientações da Autoridade Bancária Europeia (EBA) sobre análise de cenários ambientais estabelecem que, até 2027, as instituições financeiras deverão ter desenvolvido testes de stress e análises de resiliência como duas ferramentas complementares de análise de cenários.

A análise de resiliência ajuda as instituições a avaliar e, se necessário, a adaptar o seu modelo de negócio para assegurar a sua viabilidade face a alterações ambientais de médio e longo prazo. Avalia a capacidade das instituições individuais para manter as suas orientações estratégicas e a rentabilidade em condições severas, considerando projeções de métricas relevantes de riscos climáticos e ambientais, com base num conjunto de cenários plausíveis distintos, num horizonte mínimo de dez anos.

“Relativamente aos testes de stress, o BCE está a desenvolver um enquadramento para integrar os riscos climáticos nos testes de stress regulatórios, em conjunto com a EBA, bancos centrais e autoridades de supervisão da UE. O objetivo é avaliar a resiliência e a capacidade de absorção de perdas das instituições financeiras face a eventos climáticos adversos, mas plausíveis, de curto e longo prazo, incluindo cenários que assumam uma transição atrasada ou desordenada”, refere a carta subscrita por Claudia Buch.

A presidente do Conselho de Supervisão indica ainda que “o BCE iniciou diálogos de supervisão informais com as instituições para discutir os progressos alcançados, abordar os desafios de implementação e identificar áreas de melhoria. Estes diálogos continuarão ao longo de 2026”.

Segundo a responsável, as “observações das revisões mais recentes indicam que, embora a maioria dos bancos reconheça atualmente que os fatores climáticos são materialmente relevantes para o risco de crédito, persistem lacunas. Os bancos avaliados passaram a incluir o risco climático nos seus enquadramentos de testes de stress, embora continue a ser necessário melhorar a robustez e a abrangência desses frameworks”.

“Neste contexto, a Supervisão Bancária do BCE continuará a centrar-se na capacidade dos bancos para gerir riscos climáticos e da natureza materialmente relevantes, em estreita articulação com as Orientações da EBA. Ao fazê-lo, o BCE apoia os bancos no reforço das suas capacidades para avaliar a resiliência face a riscos climáticos e da natureza, incluindo contributos para o desenvolvimento de metodologias de análise de cenários e de testes de stress”, conclui a responsável.

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