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BCE nega saída de Lagarde para ajudar Macron

Financial Times noticia eventual afastamento da presidente do Banco Central Europeu antes do fim do mandato para evitar escolha da extrema-direita

18 Fev 2026 - 10:34

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Christine Lagarde pode estar de saída do BCE/Foto: Fórum Económico Mundial

Christine Lagarde pode estar de saída do BCE/Foto: Fórum Económico Mundial

O jornal Financial Times noticiou nesta quarta-feira que Christine Lagarde pretende abandonar o cargo de presidente do Banco Central Europeu (BCE) antes do termo do mandato. No entanto, um porta-voz da instituição afirmou que a dirigente “não tomou qualquer decisão”.

“A presidente [Christine] Lagarde está totalmente concentrada na missão que desempenha e não tomou qualquer decisão sobre o fim do mandato”, declarou o porta-voz, numa mensagem enviada à Agence France-Presse, desmentindo assim as informações divulgadas pelo jornal britânico.

O Financial Times refere, citando uma fonte próxima de Lagarde que não foi identificada, que a responsável francesa pondera deixar o cargo — cujo mandato é de oito anos — antes do seu termo.

Segundo o jornal, Lagarde quererá sair antes das eleições presidenciais francesas do próximo ano.

De acordo com a Agence France-Presse, a notícia provocou uma reação no mercado cambial, com o euro a recuar 0,16%, para 1,18 dólares.

À frente do BCE desde novembro de 2019, após ter liderado o Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde “gostaria”, segundo a mesma notícia, de permitir que os líderes francês e alemão chegassem a acordo quanto ao seu sucessor na instituição europeia.

O presidente francês, Emmanuel Macron, que não pode candidatar-se a um terceiro mandato como chefe de Estado, pretenderá influenciar a escolha do futuro presidente do BCE, num contexto político europeu considerado sensível, acrescenta o Financial Times.

A líder da extrema-direita francesa, Marine Le Pen, lidera as sondagens para as eleições presidenciais. Em caso de impedimento na sequência de uma condenação judicial, o dirigente do partido Rassemblement National (RN), Jordan Bardella, poderá substituí-la como candidato presidencial em França.

O mandato de Christine Lagarde tem sido marcado por uma sucessão de crises: primeiro, a pandemia de Covid-19; depois, a invasão russa da Ucrânia; o aumento da inflação; e a “guerra” comercial com os Estados Unidos.

O BCE chegou a aumentar drasticamente as taxas de juro em 2022, antes de iniciar um ciclo de flexibilização a partir de 2024.

A nomeação de Lagarde para a presidência do BCE ocorreu após um acordo alcançado em 2019 entre Macron e a então chanceler alemã, Angela Merkel, segundo recorda o Financial Times.

De acordo com Christian Schulz, economista-chefe da Allianz Global Investors, “as especulações sobre uma saída antecipada circulam há algum tempo. O Financial Times sugere que Lagarde deseja que o seu sucessor seja escolhido antes das eleições presidenciais francesas de 2027 — um motivo plausível que realça os riscos mais amplos para as instituições europeias decorrentes desse cenário”.

Segundo os especialistas da Allianz Global Investors, os principais candidatos provêm de dois grandes Estados-membros que nunca ocuparam a presidência do BCE: Espanha, através de Pablo Hernández de Cos, que poderá dar maior ênfase ao equilíbrio económico em detrimento das expectativas de inflação — o que poderá significar um BCE mais intervencionista —, e a Alemanha, que apresenta três nomes: Joachim Nagel, Isabel Schnabel e Jörg Kukies. Nagel e Kukies poderão representar continuidade, com uma postura mais restritiva (hawkish). Schnabel tem demonstrado uma posição particularmente restritiva; contudo, as suas hipóteses são consideradas limitadas, em parte porque o seu mandato não é renovável.

Em alternativa, é também referido Klaas Knot, dos Países Baixos — embora o país já tenha ocupado o cargo com Wim Duisenberg, o primeiro presidente do BCE. Historicamente cético em relação às ferramentas não convencionais e à expansão do balanço, Knot adotou uma posição mais moderada no período pós-pandemia.

Outros cargos poderão igualmente ser afetados: os mandatos de Philip Lane (Irlanda) e Isabel Schnabel (Alemanha) terminam em maio e dezembro de 2027, respetivamente. Uma presidência alemã poderá afastar Schnabel; Lane poderá perder antecipadamente o cargo de economista-chefe caso a França insista numa alteração, dado que dispõe de vários candidatos franceses fortes.

Os analistas da Allianz referem ainda que “a eleição do sucessor poderá influenciar a valorização dos mercados no curto prazo. Caso se confirme a saída antecipada de Lagarde, o limiar para introduzir alterações à política monetária, em qualquer direção, poderá tornar-se ainda mais elevado. Uma presidência de Hernández de Cos poderá reforçar as expectativas de cortes nas taxas de juro; com os restantes candidatos, esses cortes poderão tornar-se menos prováveis — e, com Schnabel, poderão mesmo surgir especulações sobre aumentos das taxas de juro.”

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