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BCE pede à Europa para acelerar a transição energética

Frank Elderson, membro do Conselho Executivo do BCE, faz as contas: 660 mil milhões de euros/ano de investimento até 2030, para substituir um gasto de 400 mil milhões/ano em importações de combustíveis fósseis.

07 Abr 2026 - 11:40

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Foto: Unsolash/Jas Min

Foto: Unsolash/Jas Min

A guerra no Médio Oriente acelerou a reflexão sobre a transição energética na Europa. Frank Elderson, membro do Conselho Executivo do Banco Central Europeu (BCE), faz, nesta terça-feira, um apelo para que a Europa acelere a transição energética e se afaste, de uma vez por todas, do fenómeno da “fossilinflação”.

Segundo o responsável, que também é vice-presidente do Conselho de Supervisão do BCE, “a Europa não pode eliminar o risco geopolítico, mas pode reduzir significativamente a sua exposição a ele. A forma mais eficaz de o fazer é diminuir a dependência dos combustíveis fósseis importados e acelerar uma transição ordenada para energia limpa produzida internamente. Se a Europa cumprir as suas metas de energia sustentável, a ligação entre os preços da energia no mercado interno e a volatilidade dos mercados globais de energia enfraquecerá substancialmente”.

Elderson faz as contas ao investimento e aos benefícios imediatos para a Europa dessa aceleração: “alguns argumentam que essa transição é proibitivamente cara. É verdade que, segundo a Comissão Europeia, o investimento terá de atingir cerca de 660 mil milhões de euros por ano entre 2026 e 2030. Mas focar apenas nesses custos é profundamente enganador.” E acrescenta: “investir em energia limpa e sustentável substitui gastos substanciais com combustíveis fósseis. Atualmente, a Europa gasta quase 400 mil milhões de euros por ano com importações de combustíveis fósseis. Em contrapartida, o custo marginal de produção de energia renovável nacional é estruturalmente menor. Uma vez instalada a infraestrutura, a energia em si é praticamente gratuita”.

O responsável dá o exemplo de Espanha, onde a transição para as energias renováveis demonstra a eficácia do investimento: “estimativas do Banco de España indicam que os preços da eletricidade no mercado grossista, no início de 2024, foram aproximadamente 40% mais baixos do que seriam se a produção de energia eólica e solar tivesse permanecido nos níveis de 2019”.

Aplicando esta reflexão à política monetária, Elderson refere que “em teoria, os bancos centrais podem ignorar choques temporários de oferta, desde que estes não se propaguem para pressões inflacionistas mais amplas e persistentes, as expectativas de inflação permaneçam ancoradas e não surjam espirais de preços e salários. No entanto, choques energéticos repetidos e persistentes põem à prova todas essas condições”.

Defende ainda que uma ampla implementação da transição energética significaria “menos choques para as famílias, empresas, finanças públicas e mercados financeiros — e, em última análise, maior estabilidade macroeconómica e de preços”.

“Nada disto é fácil. Mas a verdadeira questão já não é se a Europa tem condições para fazer a transição energética. É se pode dar-se ao luxo de não a fazer. Da perspetiva de um banco central, a resposta é clara”, conclui Frank Elderson.

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