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BIS: tensões comerciais e incerteza obscurecem economia global
O Banco de Compensações Internacionais aponta, num novo relatório, que os bancos centrais devem concentrar-se na estabilidade dos preços e os governos devem apoiar reformas estruturais e gerir as finanças públicas de forma sustentável.
30 Jun 2025 - 15:50
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As tensões comerciais e o aumento da incerteza estão a obscurecer as perspetivas de crescimento e inflação e poderão expor falhas mais profundas na economia global e no sistema financeiro, afirma o Banco de Compensações Internacionais (BIS) no seu Relatório Económico Anual 2025, divulgado neste domingo. O BIS apela, por isso, a que os decisores políticos assumam um papel de força estabilizadora.
O documento afirma que as perspetivas para a economia global se tornaram muito mais incertas e imprevisíveis nos últimos meses, com as perturbações comerciais a agitar os mercados financeiros e a ameaçar remodelar o panorama económico global.
O relatório analisa as vulnerabilidades da economia real e do sistema financeiro, incluindo mudanças no sentido de uma maior fragmentação económica e protecionismo, exacerbando ainda mais o declínio de décadas no crescimento económico e da produtividade em muitas economias.
O BIS salienta ainda que as “cicatrizes” do aumento da inflação pós-pandemia podem deixar uma “marca duradoura” nas expectativas de inflação das famílias.
Destaca também que uma dívida pública elevada e crescente aumenta a vulnerabilidade do sistema financeiro e as taxas de juro e reduz a capacidade de os governos responderem a novos choques.
“Esses desenvolvimentos estão a ocorrer num mundo que já enfrenta fragmentação económica, declínio da produtividade, dívida pública elevada e crescente e uma presença cada vez maior de instituições financeiras não bancárias menos regulamentadas. As políticas públicas são cruciais como força estabilizadora. Os formuladores de políticas devem agir de forma decisiva em várias frentes para garantir a estabilidade dos preços e promover o crescimento económico sustentável, preservando a estabilidade económica e financeira”, refere Agustín Carstens, diretor-geral do BIS.
O BIS sublinha que algumas das prioridades de políticas públicas incluem reformas estruturais “há muito esperadas” para enfrentar os “desafios persistentes” do baixo crescimento da produtividade e para tornar as economias menos rígidas.
Destaca também que a remoção de barreiras ao comércio “ajudaria a compensar os danos causados pelos conflitos comerciais”. Na perspetiva da instituiçãoglobal , a política fiscal “deve garantir que a trajetória da dívida pública seja sustentável e restaurar o espaço para apoiar a economia quando necessário. Os bancos centrais devem manter o foco na estabilização dos preços”.
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