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Clima tem cada vez mais influência no risco de crédito

Estudo do Banco Central Europeu reforça a necessidade de os bancos integrarem de forma mais intensa nas suas decisões de crédito os fenómenos extremos da natureza.

06 Ago 2025 - 11:47

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Euro Tower | Foto: Wikipedia, ArcCan

Euro Tower | Foto: Wikipedia, ArcCan

O Banco Central Europeu (BCE) publicou nesta quarta-feira um estudo que reforça a necessidade de as instituições financeiras considerarem, cada vez mais, os riscos climáticos nas suas decisões de crédito. Intitulado “Implicações dos testes de stress climático nos empréstimos bancários”, o trabalho, da autoria de Valentina De Cicco, Isabella Gschossmann e Christoffer Kok, revisita os testes de stress de riscos climáticos realizados em 2022 pelo BCE, os quais abrangeram 104 instituições financeiras europeias significativas, obrigadas a participar no desafio lançado pelo supervisor.

Entre os principais resultados desse exercício, salientam-se os seguintes: apenas 20% dos bancos participantes consideraram o risco climático como uma variável nas suas decisões de concessão de crédito. Além disso, as instituições financeiras mais relevantes obtinham “receitas não negligenciáveis” provenientes de atividades relacionadas com indústrias altamente poluentes. A título de exemplo, a parcela da receita de juros associada às 22 indústrias mais emissoras de gases poluentes representava mais de 60% do total da receita de juros das empresas não financeiras que beneficiaram de crédito bancário.

Nas suas conclusões, os autores referem que “os resultados sugerem duas principais implicações para a política pública: em primeiro lugar, só com a melhoria da sua capacidade de medir e testar adequadamente os riscos climáticos é que os bancos conseguirão geri-los de forma eficaz. Os testes de stress climático e outras atividades de supervisão que visam fomentar abordagens robustas à gestão do risco climático por parte dos bancos são, por isso, fundamentais para apoiar a transição verde”.

“Em segundo lugar, os resultados demonstram que poderão ser necessárias medidas adicionais, especialmente para os bancos com avaliações mais baixas em matéria de risco climático, de modo a incentivar a gestão ativa destes riscos em todo o setor. Tanto do lado regulatório como do supervisor, está em curso a implementação de um conjunto de medidas destinadas a levar o setor bancário a medir e a gerir de forma mais proativa os riscos climáticos e ambientais”, refere o documento.

Outra conclusão relevante indica que os bancos que demonstraram maior competência na medição dos riscos climáticos parecem ter adotado uma postura mais seletiva nas suas decisões de crédito após o exercício.

Os autores alertam, contudo, que os resultados devem ser “interpretados com a devida cautela”. “Apesar de um vasto conjunto de verificações de robustez e controlos econométricos, não podemos descartar a possibilidade de outros fatores terem influenciado a dinâmica de concessão de crédito observada antes e depois do exercício. Com efeito, a redução dos empréstimos a empresas mais poluentes (‘empresas castanhas’) terá sido provavelmente impulsionada pelo ambiente macroeconómico adverso que essas empresas enfrentaram após o teste de stress climático”, acrescentam os responsáveis pelo estudo.

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