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Conluio em esquemas de pagamento é fraude mais comum em empresas moçambicanas
Estudo da Deloitte avança que 72% das empresas inquiridas não recorre à tecnologia para detetar eventos de crime financeiro.
28 Nov 2025 - 11:40
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Um estudo da consultora Deloitte concluiu que o conluio em esquemas de fraude em meios de pagamento é a prática fraudulenta mais comum entre empresas moçambicanas, aliado ao deficiente uso da tecnologia para detetar o crime. Na primeira edição do ‘Fraud Risk Management Survey’, estudo que analisa o panorama da fraude, ética e integridade nas empresas moçambicanas, a que a Lusa teve acesso, a Deloitte assinala que a maioria das 43 empresas inquiridas experienciou eventos recentes de fraude e não recorre à tecnologia para detetar e prevenir o crime financeiro.
Segundo a consultora, 88% das empresas inquiridas identificam o “conluio em esquemas de fraude em meios de pagamento” como a prática de fraude interna mais comum e 35% consideram que a principal tipologia a que se encontram expostos é a fraude promovida por clientes/fornecedores na fraude externa, associadas a fraude cibernética (19%) e a falsificação de documentos (19%).
Além do conluio, as empresas apontaram ainda o uso indevido de recursos da instituição (44%), o roubo de bens (24%) e a manipulação de registos financeiros (20%) como os crimes mais comuns dentro das corporações, causadas, principalmente, pela falta de valores éticos (33%), sistemas de controlo ineficientes (28%) e nível remuneratório reduzido (23%), descreve-se no documento.
“O inquérito questionou a perceção das empresas sobre a atual exposição ao risco da ocorrência de situações de conduta imprópria, de um ponto de vista de ética e integridade”, sendo que “70% respondeu dispor de algum canal específico de denúncia para reportar de forma anónima situações de carácter irregular e potencialmente não ética”, refere-se. O estudo feito com líderes empresariais, a maioria de grandes empresas e de diferentes sectores de atividade, permitiu avançar que a maioria das firmas relata que o desafio mais significativo para o funcionamento eficaz destes canais de queixa é a relutância em denunciar devido a “receio de retaliação”.
No que diz respeito às condutas não éticas mais frequentes no meio empresarial moçambicano, os inquiridos identificaram o suborno e a corrupção como a prática mais comum, referida por 84% das empresas participantes. Seguem-se as fraudes em processos de ‘procurement’ (60%), o conflito de interesses (44%) e o branqueamento de capitais (37%).
“Outras práticas menos frequentes incluem o desvio de fundos ou apropriação indevida de ativos (30%) e a fraude fiscal (14%)”, explica-se, descrevendo ainda que 60% das empresas inquiridas relataram ter testemunhado ou ter conhecimento de casos de fraude interna ocorridos nos últimos 24 meses. “Das empresas inquiridas, 35% experienciaram algum tipo de incidente de crime financeiro recentemente. Entre aqueles que registaram incidentes, o impacto financeiro foi o mais frequente (87%), seguido do impacto reputacional (33%) e do impacto legal (20%)”, explica a Deloitte.
Apesar dos riscos e das consequências das fraudes, a consultora avança que 72% das empresas não recorre à tecnologia para detetar eventos de crime financeiro.
De acordo com o documento, 49% das organizações planeia investir no reforço de sistemas de monitorização de transações em tempo real e 81% indicou a realização de auditorias regulares e 60% garantiu desenvolver ações de sensibilização contínua dos colaboradores como uma das suas medidas de prevenção de crimes financeiros.
“Relativamente às áreas em que as organizações pretendem concentrar investimentos futuros em termos de governança, as empresas inquiridas identificam três principais medidas: A formação regular dos colaboradores, apontada por 40% dos inquiridos, seguida da implementação de um código de ética (30%) e do desenvolvimento de um ‘framework’ de avaliação de gestão de risco em matéria de integridade (21%)”, aponta-se no estudo.
Agência Lusa
Editado por Jornal PT50
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