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Dan Katz: «A IA pode ser transformadora para o sistema de pagamentos»

O primeiro diretor-geral-adjunto do FMI defende que os benefícios prometidos por um novo sistema financeiro podem, em vez disso, «ser alcançados por meio da modernização dos sistemas de pagamento essenciais que já possuímos»

29 Set 2026 - 14:31

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Dan Katz primeiro diretor geral adjunto do Fundo Monetário Internacional FMI Foto FMI

Professional portrait: man in a navy suit and purple tie, standing against a grey wall with a blurred emblem in the background.

Dan Katz primeiro diretor geral adjunto do Fundo Monetário Internacional FMI Foto FMI

O primeiro diretor-geral-adjunto do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dan Katz, defende que a Inteligência Artificial (IA), quando bem utilizada, poderá transformar, a curto prazo, os sistemas de pagamentos em todo o mundo. Katz falava esta semana no SIBOS 2026, a conferência anual organizada pela Swift para o setor financeiro, que decorre em Miami.

Katz exemplificou como a IA pode melhorar os sistemas de pagamentos. «Uma das maneiras é reduzindo as fricções de informação e os custos de mudança. Agentes de IA podem avaliar continuamente taxas, serviços, câmbio e qualidade de execução, encaminhando cada transação para o prestador mais eficiente. Isso reduz as barreiras à entrada, aumenta a concorrência e pressiona as empresas estabelecidas a melhorarem os seus preços e serviços», refere.

Acrescenta que «isso se aplica não apenas a serviços financeiros, mas a todas as formas de comércio. Pode-se até questionar se uma redução sustentada nas fricções de informação e nos custos de mudança poderia ter consequências macroeconómicas significativas para a inflação».

Em segundo lugar, o responsável do FMI refere que «os agentes podem automatizar transações complexas que hoje exigem uma ampla intervenção humana. Eles podem gerir a mecânica dos pagamentos, coordenar pagamentos entre máquinas e otimizar o momento das operações com base na liquidez, nos custos e nas obrigações contratuais».

«Parte disso já é possível hoje por meio da programabilidade. Mas a programabilidade tem os seus limites. Exige instruções explícitas para cada tarefa e opera dentro de parâmetros predefinidos. Em contrapartida, os sistemas de agentes de IA podem interpretar o contexto e operar sem a necessidade de um novo conjunto de instruções para cada transação. Isso abriria mais o comércio à automação, aumentando o volume e a velocidade das transações», defende.

Por último, o responsável considera que os agentes de IA poderiam «reduzir substancialmente os custos dos relatórios e da conformidade regulamentar, automatizando a recolha, a conciliação e a elaboração de relatórios de dados entre instituições e jurisdições. Os agentes poderiam acompanhar continuamente as transações e as posições face aos requisitos regulamentares, identificar lacunas em tempo real e produzir a documentação de conformidade».

O diretor-geral-adjunto do FMI não subestima a dimensão dos benefícios da aplicação da IA à arquitetura de pagamentos existente. «Os pagamentos são muito mais do que apenas a infraestrutura pública que os suporta. Um produto de pagamentos completo exige conformidade regulamentar, resolução de litígios e apoio ao cliente. Essas funções são necessárias independentemente de os pagamentos serem executados em blockchain ou noutras infraestruturas».

«Muitos dos benefícios prometidos por um novo sistema financeiro podem, em vez disso, ser alcançados por meio da modernização dos sistemas de pagamento essenciais que já possuímos. É aí que a IA pode ajudar. No curto prazo, é nesse ponto que provavelmente veremos benefícios mais tangíveis», defende Katz.

«A escala, por si só, justifica o investimento. A equipa do FMI estima que sejam movimentados quase um quatrilião de dólares por ano em pagamentos transfronteiriços. Nessa escala, mesmo melhorias medidas em pontos-base podem traduzir-se em ganhos muito significativos», conclui.

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