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Do Santander ao Banco Carregosa: as duas mulheres que lideram bancos portugueses
No Dia Internacional da Mulher, as duas únicas presidentes de bancos no nosso país contam ao PT50 como é liderar um setor altamente profissional e competitivo e qual é o caminho para chegar ao topo.
08 Mar 2026 - 07:30
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Isabel Guerreiro, CEO do Santander Portugal, e Maria Cândida Rocha e Silva, presidente do Banco Carregosa | Foto: Santander Portugal e Banco Carregosa
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Isabel Guerreiro, CEO do Santander Portugal, e Maria Cândida Rocha e Silva, presidente do Banco Carregosa | Foto: Santander Portugal e Banco Carregosa
Maria Cândida Rocha e Silva e Isabel Guerreiro são as duas presidentes que atualmente lideram instituições financeiras no nosso país. A primeira está à frente do Banco Carregosa e a segunda preside à Comissão Executiva do Santander Portugal. No dia que as Nações Unidas designaram como Dia Internacional da Mulher, o Jornal PT50 foi ouvir os testemunhos de quem trabalha num setor altamente profissional e competitivo, como é o setor financeiro, e saber como caracterizam o difícil caminho até ao topo das organizações.
Isabel Guerreiro tem mais de 20 anos de experiência no setor financeiro e um percurso consolidado no Grupo Santander, onde ingressou em 2005. Foi administradora executiva em Portugal, responsável pela rede de particulares e de negócios, e membro do Supervisory Board do Santander Polónia.
Desde o dia 1 de março é CEO do Santander em Portugal, substituindo Pedro Castro e Almeida. Ao Jornal PT50, Isabel Guerreiro afirmou a sua convicção de que “o talento existe. O que nem sempre existe é o mesmo acesso às oportunidades”. Nesse sentido, garante que “igualdade de oportunidades não é baixar critérios. É elevá-los”.
“É garantir que todos competem com as mesmas regras, com acesso a projetos desafiantes, à mentoria certa e a percursos de progressão que não dependem de redes informais”, defende.
Para a nova CEO do Santander Portugal, no que diz respeito ao setor, “o tema é simples: talento”. “Na banca, as melhores decisões nascem das pessoas certas nos lugares certos. Isso significa ter mulheres em todas as funções e em todos os níveis de liderança”, considera.
Assim, defende que, para assegurar a igualdade de oportunidades, “também é preciso assegurar que parentalidade e flexibilidade são compatíveis com ambição”. “Quando o mérito é o que conta, as instituições decidem melhor e o país ganha”, remata.
Já a presidente do Conselho de Administração do Banco Carregosa recordou ao Jornal PT50 o seu percurso na área financeira:
“O meu percurso no Banco Carregosa começou muito antes de ele nascer, já que trabalho na instituição Carregosa desde 1972. O banco recebeu a autorização do Banco de Portugal em 2008; até então éramos a Sociedade Financeira de Corretagem L.J. Carregosa. É uma longa história que não caberia em dois ou três parágrafos. Direi apenas que o meu papel de liderança se faz sentir há muitos anos e tem sido eficaz e bem aceite (peço perdão se sou imodesta). Hoje já sou administradora não executiva, mas tudo continua a correr em moldes muito semelhantes e… muito bem.”
Para Maria Cândida Rocha e Silva, “a liderança feminina, na minha opinião (e aqui alerto sempre para os perigos das generalizações), é mais ‘coração’, mais preocupada com os pequenos detalhes, com as especificidades de cada um, com o adivinhar do que não foi dito, sem perder o sentido do principal fim que servimos, que é o do acionista e dos resultados a apresentar”.
“Confesso que não sei como será gerir uma grande empresa, mas penso que preocupação, talento e grande seriedade serão uma boa receita para qualquer dimensão de empresa”, acrescenta.
A líder do Banco Carregosa diz que não quer dar conselhos a ninguém, mas, no que diz respeito às mulheres, “elas são sempre inteligentes; basta observar a vida, que ela se encarrega de nos ensinar tudo”.
O que mostra a realidade do mercado laboral
Ainda a propósito do Dia Internacional da Mulher, a Randstad Research fez um estudo sobre o diferencial de rendimento entre homens e mulheres no mercado laboral. A conclusão a que o estudo chega é que “o diferencial de rendimento médio mensal líquido da população empregada por conta de outrem situou-se nos 17,1% em 2024”.
Em números absolutos, esta disparidade equivale a 205 euros, com uma média de 1.388 euros atribuída ao género masculino e 1.183 euros ao género feminino.
Quando se coloca o foco no setor financeiro e dos seguros, o diferencial aumenta para 20,1%, ficando apenas atrás dos setores da saúde e apoio social e das atividades artísticas, de espetáculos, desportivas e recreativas.
Além desta discrepância geral, o intervalo vai aumentando quanto mais se sobe nos cargos e nas faixas salariais. O estudo citado por Sónia Félix, economista especializada no mercado de trabalho, no podcast do Banco de Portugal sobre este assunto — lançado na passada sexta-feira, também a propósito do Dia da Mulher — aponta para uma discrepância de cerca de 260 euros por mês entre homens e mulheres, em geral, mas que sobe para uma diferença de 600 euros nas camadas salariais mais elevadas.
Estes dados estão em linha com a informação da Randstad, segundo a qual, apesar de a maioria do talento qualificado ser feminino, na ordem dos 59,1%, apenas cerca de 16% ocupa cargos de direção — falando-se aqui das maiores empresas em Portugal, esclarece a instituição em comunicado. Portugal fica acima da média europeia de 52,6%.
Segundo a Randstad, 84,3% dos cargos de CEO e executivos são ocupados por homens, sobrando 15,7% para mulheres nestas posições. Aqui, Portugal está abaixo da média europeia, que se situa nos 16,6%, também longe do equilíbrio. Quem lidera esta tabela é a Lituânia, onde 27,9% destes cargos são ocupados por mulheres.
Pedro Portugal, outro economista especializado na área que participou no podcast do banco central, indica que a crescente escolaridade das mulheres é um dos fatores para o progresso no combate à desigualdade, nomeadamente no campo salarial.
O economista explica também que, no que diz respeito à análise dos salários e à discrepância entre eles, existem características observáveis responsáveis pelo salário — tais como a qualificação ou a experiência — e outras não observáveis. Estas últimas são responsáveis por metade da diferença salarial entre os géneros, acrescentando que é difícil identificar o enquadramento que está por detrás dessas razões.
Por outro lado, entre os dados mais positivos, Catarina Pimenta, economista que participou no mesmo podcast, destaca que Portugal, segundo o Eurostat, é o quarto país com maior taxa de emprego feminino na faixa etária entre os 25 e os 54 anos. Quando se olha para as mulheres que são mães, sobe-se uma posição: Portugal fica apenas atrás da Suécia e da Eslovénia na proporção de mães empregadas.
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