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Entrada em bolsa do Banco de Fomento de Angola atrai interesse de investidores institucionais
Entrada em bolsa está prevista para o final do mês com a venda de 29,75% do capital. BPI vai alienar 14,75%.
04 Set 2025 - 15:27
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foto: BFA
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A entrada em bolsa do Banco de Fomento de Angola (BFA), a maior operação de sempre no mercado de capitais angolano, está a atrair pela primeira vez o interesse de investidores institucionais, disse nesta quinta-feira fonte da administração.
Em declarações aos jornalistas, à margem do ‘roadshow’ de apresentação da Oferta Pública de Venda (OPV), o administrador Paulo Graça e Silva afirmou que esta operação está a gerar um perfil diferente de investidores em comparação com a entrada em bolsa anterior dos bancos BAI e Caixa Angola.
“Temos fortes convicções de que haverá uma mudança no perfil de investidores”, que até agora têm sido sobretudo particulares, destacou. “Para esta oferta, provavelmente devido à dimensão, começam a aparecer os institucionais interessados na operação”, acrescentou, apontando seguradoras, fundos de pensões e o Instituto Nacional de Segurança Social, “que têm manifestado interesse em obter o maior conhecimento e detalhes sobre a oferta”.
Paulo Graça e Silva adiantou que o interesse tem sido manifestado por entidades angolanas, sublinhando que a aprendizagem em economia de escala “faz-se de forma gradual”.
“Se dermos este primeiro passo para trazermos [os investidores] institucionais locais a esta oferta, poderá ser que na próxima já se possa trazer investidores institucionais internacionais, mas primeiro temos de fazer com segurança o nosso percurso”, observou.
A partir de sexta-feira, 29,75% do capital social do BFA será disponibilizado em bolsa, na modalidade de OPV, sendo 15% disponibilizado pela Unitel, no âmbito do programa de privatizações do Governo de Angola, e 14,75% disponibilizado pelo BPI, controlado pelo espanhol CaixaBank.
Para os pequenos investidores que queiram iniciar-se no mercado de capitais, Paulo Graça e Silva aconselhou a “avaliar a sua poupança e dar uma pequena ordem de compra, a um valor que possa maximizar a possibilidade de adquirir ações”, mas sempre “com alguma prudência”.
O administrador sublinhou ainda que “o nível global de risco do BFA é baixo”, indicando que o rácio de incumprimento do crédito é dos mais baixos do mercado, que o banco é robusto e com um nível de solvabilidade superior ao exigido pelo regulador.
Além disso, nos últimos cinco anos, foi, em três deles, o banco angolano que apresentou resultados mais elevados. “Neste primeiro semestre do ano, os resultados apontam para uma performance ainda melhor do que no ano passado”, disse.
Esta é a terceira OPV de uma instituição financeira angolana.
A primeira, do Banco Angolano de Investimentos (BAI), aconteceu em maio de 2022, numa operação que movimentou cerca de 40 mil milhões de kwanzas (87 milhões de euros ao câmbio da altura).
Alguns meses mais tarde, foi a vez do Caixa Angola, controlado pela Caixa Geral de Depósitos, abrir o capital, rendendo quase 60 milhões de euros.
A colocação do BFA distingue-se pela escala, estimando-se que possa movimentar entre 205 e 220 mil milhões de kwanzas (191 a 205 milhões de euros), tornando-se na maior privatização em bolsa já realizada em Angola e superando o valor somado das OPV anteriores.
Esta operação representa um passo significativo no Programa de Privatizações (PROPRIV), lançado pelo Governo angolano através do Instituto de Gestão de Ativos e Participações do Estado (IGAPE), que pretende reforçar o papel dos investidores privados.
Com a entrada do BFA, passarão a três os bancos com ações cotadas na Bolsa de Dívida e Valores de Angola (BODIVA) – BAI, Caixa Angola e BFA –, consolidando o setor financeiro como o principal motor da abertura do mercado de capitais angolano.
Agência Lusa
Editado por Jornal PT50
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