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Falhanços na reestruturação das dívidas alimentam incumprimentos no crédito privado

A Morningstar DBRS prevê uma aceleração do malparado em 2026, depois de um aumento de 78% em 2025.

19 Mar 2026 - 12:42

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Incumprimento no crédito privado aumenta/foto: Freepick

Incumprimento no crédito privado aumenta/foto: Freepick

Depois dos alertas lançados esta semana por Claudia Buch, presidente do Conselho de Supervisão do Banco Central Europeu (BCE), sobre o risco de aumento do incumprimento no chamado crédito privado, a agência de rating Morningstar DBRS divulgou um comentário nesta quinta-feira sobre o ritmo dos incumprimentos neste segmento (financiamento concedido por entidades não bancárias, também conhecidas como «bancos sombra»).

Segundo a agência, o aumento do incumprimento no crédito privado tem como principal origem o falhanço nos processos de reestruturação de dívida das empresas que recorreram a este tipo de financiamento.

“A atividade de incumprimento entre mutuários do mercado intermédio no crédito privado acelerou de forma significativa ao longo do último ano, sendo liderada por reestruturações de dívida em situação de dificuldade (distressed exchanges), resultantes de uma deterioração material dos interesses dos credores. Nos últimos 12 meses, 16 das 17 descidas de notação no crédito privado para D (default) ou SD (default seletivo) cumpriram os nossos critérios de reestruturação de dívida em dificuldade, que consideramos um evento de incumprimento”, refere a Morningstar DBRS.

A agência prevê “que o recente ritmo acelerado de incumprimentos se mantenha até 2026, após um aumento homólogo de 78% nos eventos de incumprimento em 2025. Esperamos que uma elevada proporção dos mutuários atualmente classificados entre CCC e C venha a deteriorar-se ainda mais, sobretudo aqueles que dependeram de dispensas (waivers) ou alterações contratuais que flexibilizaram os limites dos covenants ou exigiram apoio de capital externo”.

Entre os emitentes que entraram em incumprimento nos últimos dois anos, a Morningstar DBRS verificou que os incumprimentos se concentraram de forma desproporcionada entre mutuários que anteriormente beneficiaram de algum tipo de apoio de capital externo.

Na análise de setembro sobre o apoio de capital aos mutuários, a agência observou que esta categoria representava 10% dos mutuários privados com notação ativa. Identificou ainda um adicional de 18% vulnerável à deterioração do crédito, com base em fraco crescimento das vendas ou tendências negativas das margens.

“Entre os emitentes que entraram em incumprimento nos últimos dois anos, verificámos que os incumprimentos se concentraram de forma desproporcionada entre mutuários que tinham anteriormente recebido algum tipo de apoio de capital externo”, afirmou Candice Gao, vice-presidente adjunta de Crédito Corporativo Privado. “Se o seu desempenho operacional não melhorar de forma significativa e o apoio de capital externo diminuir, a probabilidade de incumprimento — seja por falha de pagamento ou por reestruturação de dívida em situação de dificuldade — aumenta”, acrescentou.

A agência de rating deu ainda um exemplo concreto das dificuldades de reestruturação de dívida no crédito privado: um mutuário do mercado intermédio, em situação de stress financeiro, negociou uma reestruturação de dívida em dificuldade que adiou o pagamento de todos os juros para a maturidade, sem compensação tangível para os credores (por exemplo, através de um aumento da margem de juro ou de uma amortização do capital em dívida).

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