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FMI identifica tripla ameaça para os mercados financeiros
Promessas de rentabilidade elevada nos investimentos em inteligência artificial, subida da inflação e impacto na dívida soberana, bem como ameaças cibernéticas cada vez mais sofisticadas, são as nuvens negras que pairam sobre a economia mundial
13 Out 2026 - 11:44
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Christine Lagarde presidente do BCE e Kristalina Georgieva presidente do FMIFoto FMI
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Christine Lagarde presidente do BCE e Kristalina Georgieva presidente do FMIFoto FMI
O Relatório de Estabilidade Financeira Global, divulgado nesta terça-feira pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), identifica uma tripla ameaça para os mercados financeiros que, caso os seus efeitos negativos se conjuguem, poderá comprometer a resiliência que os bancos, as seguradoras e os fundos de investimento têm conseguido construir nos últimos anos.
Segundo o organismo liderado por Kristalina Georgieva, «três riscos principais podem desencadear um aperto acentuado das condições financeiras e turbulência nos mercados. Investimentos e rendibilidades mais fracos ou menos duradouros na área da inteligência artificial (IA) podem provocar uma correção dos preços dos ativos relacionados com esta tecnologia, amplificada pelo aumento da alavancagem e pela concentração de recursos».
«O ressurgimento da inflação ou as preocupações com a situação orçamental podem impulsionar uma forte subida das taxas de rendibilidade da dívida soberana, com repercussões potencialmente generalizadas nos mercados financeiros», enquanto «as ameaças cibernéticas cada vez mais sofisticadas representam riscos crescentes, à medida que o setor financeiro se torna mais digital e interligado».
As vulnerabilidades financeiras que persistem em algumas instituições «podem amplificar estes riscos e transformar o stress dos mercados em acontecimentos sistémicos. Embora o sistema bancário mundial permaneça, de um modo geral, resiliente, subsistem focos de maior fragilidade em algumas instituições bancárias».
«Os desfasamentos de liquidez entre seguradoras e fundos de pensões aumentaram, enquanto o crescimento da alavancagem e os riscos de liquidez contingente no crédito privado podem amplificar o stress», alerta o FMI. O organismo salienta ainda que, «embora os fundos de cobertura (hedge funds) contribuam para o funcionamento dos mercados em períodos de tranquilidade, a utilização de alavancagem e a exposição a operações concentradas também podem agravar a turbulência e gerar efeitos indiretos sobre os principais intermediários financeiros».
Por fim, «embora os mercados de ativos tokenizados ainda sejam de pequena dimensão e possam proporcionar ganhos de eficiência em várias áreas, podem criar novos canais para a acumulação de alavancagem e para desfasamentos de liquidez e de prazos, além de aumentarem os riscos associados à tecnologia e às infraestruturas».
Para combater esta tripla ameaça, o FMI apela à «preservação da independência dos bancos centrais», como forma de contribuir «para ancorar as expectativas de inflação e reduzir o risco de uma subida acentuada das taxas de rendibilidade das obrigações».
«A resiliência em matéria de cibersegurança deverá centrar-se na continuidade dos serviços críticos, através do reforço das capacidades de cibersegurança, da comunicação de incidentes, da supervisão de terceiros e da realização de testes de resiliência», refere o Fundo.
O FMI considera ainda que «as autoridades de supervisão deverão preservar as reservas de capital e de liquidez dos bancos, acompanhar as interligações entre os intermediários financeiros não bancários (IFNB) e melhorar a monitorização dos investidores institucionais e do crédito privado».
«As autoridades das economias de mercado emergentes e das economias de fronteira deverão reconstituir as reservas orçamentais e externas, manter uma combinação coerente de políticas económicas e reforçar a divulgação de informação sobre mecanismos de financiamento alternativos», conclui o organismo.
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