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Governadores ouviram especialistas militares e ambientais antes da decisão sobre os juros

Foi algo inédito nas reuniões do Banco Central Europeu (BCE). Os serviços recolheram informação até 11 de março e peritos militares explicaram os cenários que se poderão desenrolar.

19 Mar 2026 - 16:09

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Christine Lagarde, presidente do BCE/Foto: BCE

Christine Lagarde, presidente do BCE/Foto: BCE

A reunião desta quinta-feira no Banco Central Europeu registou duas inovações relevantes. A primeira foi a necessidade de recolher informação até à última hora, para que os governadores dos vários países estivessem devidamente preparados para tomar a melhor decisão quanto à subida, descida ou manutenção das taxas de juro. Isto obrigou as equipas técnicas do BCE a trabalharem durante vários fins de semana, de forma a recolher os dados mais recentes sobre o impacto do conflito no Médio Oriente na economia mundial, processo que ficou concluído a 11 de março.

“Estamos muito gratos e eu estou muito orgulhosa do trabalho desenvolvido pelas nossas equipas técnicas”, afirmou, esta quinta-feira, Christine Lagarde.

A presidente do BCE revelou também a segunda inovação ocorrida durante a reunião: “os governadores foram amplamente informados (briefed) por especialistas em questões militares e ambientais”. “Quisemos que os membros do Conselho do Banco Central tivessem a melhor informação possível. A reunião decorreu num ambiente calmo e determinado, e todos estiveram focados nas informações”, acrescentou.

Este contexto levou a que os governadores decidissem, por unanimidade, manter as taxas de juro.

Lagarde adiantou ainda que foram elaborados, em colaboração com os referidos especialistas, dois cenários (sem incorporar os efeitos da política monetária): “um cenário adverso, em que os preços do petróleo e do gás sobem e se mantêm num nível elevado para além do horizonte das nossas projeções (2028), com maiores impactos na inflação e menores impactos no crescimento; e um segundo cenário, mais severo, em que os preços do petróleo e do gás sobem rapidamente, mas regressam também rapidamente aos níveis normais dentro do horizonte das projeções”.

A presidente do BCE salientou que os responsáveis do banco central irão acompanhar de perto vários indicadores, nomeadamente as cadeias de abastecimento de matérias-primas, a evolução das expectativas das empresas, o nível da procura e a evolução dos preços.

Para a responsável, os fatores-chave a monitorizar relativamente ao conflito no Médio Oriente são “a sua duração, a sua intensidade e a sua propagação”. Esta última já teve impacto, uma vez que a construção de um primeiro cenário, que serviria de base à decisão do BCE, foi concluída a 4 de março e teve de ser atualizada com nova informação a 11 de março.

Lagarde reiterou que o BCE “está determinado a assegurar que a inflação estabilize nos 2% (no horizonte das projeções, deverá situar-se em 2,1% em 2028)” e recordou o que designou como a fórmula do “3×2”, que tem funcionado desde 2022: “2% de inflação, 2% de expectativas de inflação e 2% nas taxas de juro”.

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