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José Maria Ricciardi: O banqueiro que queria regenerar o nome da família Espírito Santo

Com uma carreira dedicada à banca, José Maria Ricciardi destacou-se por ser uma voz contestatária de Ricardo Salgado e por ser o único da família Espírito Santo a quem o Banco de Portugal nunca retirou a idoneidade.

25 Mar 2026 - 13:49

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Foto: Wikipedia

Foto: Wikipedia

Com uma carreira dedicada à banca, José Maria Ricciardi era herdeiro de um dos cinco ramos da família Espírito Santo, cujo nome ambicionava regenerar desde o colapso do BES, liderado pelo primo, Ricardo Salgado, cujo poder contestou.

Ricciardi, que morreu na terça-feira à noite aos 71 anos, nasceu a 27 de outubro de 1954 e foi educado por uma percetora francesa numa casa com três motoristas e mais de uma dezena de empregados, tendo-se licenciado em Ciências Económicas Aplicadas na Universidade Católica de Lovaina, na Bélgica.

Chegou à banca de investimento em 1992 e, antes de se tornar membro da Comissão Executiva do BES e de presidir ao Banco Espírito Santo de Investimento (BESI), em julho de 2003, passou pelo Banco Inter-Atlântico, no Rio de Janeiro, e pelo BIC, tendo ainda sido ‘financial controller’ na sede europeia do Grupo Espírito Santo (GES) e diretor adjunto do Bank Espírito Santo International Limited, entre outros cargos.

Ricciardi foi uma das figuras que contestou a liderança de Ricardo Salgado quando começaram a vir à luz as fragilidades do grupo BES, que acabaria por colapsar em agosto de 2014, tendo-se mantido à frente do BESI e liderado a sua venda aos chineses do Haitong Bank.

Na comissão parlamentar de inquérito à queda do BES afirmou que foi “a única pessoa” que tentou “mudar o curso das coisas” e revelou ter havido “duas tentativas” para o afastar do grupo, em novembro de 2013 e junho de 2014. Disse também ter alertado o então governador do Banco de Portugal (BdP), Carlos Costa, para a existência de “um banco dentro de um banco” e para a concentração de poder num núcleo controlado por Salgado.

Foi o único membro da família Espírito Santo a quem o BdP nunca retirou o estatuto de idoneidade, tendo sido ilibado na fase de inquérito do caso BES e testemunha de acusação apresentada pelo Ministério Público em diversos processos relacionados com o colapso do banco.

Para limpar o nome da família, Ricciardi disse em 2021, em entrevista ao jornal Público, pretender criar um banco novo, mas “num conceito diferente dos chamados ‘bancos clássicos’”: “Se conseguir começar a fazer a regeneração da família Espírito Santo partirei desta vida com a consciência tranquila”, disse na altura.

Fora do setor bancário, José Maria Ricciardi destacou-se também pela sua ligação ao Sporting Clube de Portugal, do qual o seu tio-avô, José Alvalade, foi sócio fundador.

Foi membro do Conselho Fiscal do Sporting durante largos anos e, em agosto de 2018, apresentou a sua candidatura à presidência do clube, numas eleições em que acabaria por sair vitorioso Frederico Varandas.

 

Agência Lusa

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