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Jovens e adultos até aos 37 anos têm mais tendência para guardar dinheiro em casa

Estudo do Banco Central Europeu mostra que a transição para o digital pode ser mais demorada do que o inicialmente previsto

05 Ago 2025 - 07:15

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Foto: Pexels

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O Banco Central Europeu (BCE) revelou, nesta segunda-feira, um artigo sobre a utilização do dinheiro em espécie. Com o título “O dinheiro está vivo… e relativamente jovem?”, o trabalho, da autoria de Alejandro Zamora-Pérez, especialista do BCE em moeda, e Rebecca Clipal, economista júnior da instituição, procura estudar o futuro dos pagamentos com “dinheiro vivo”, analisando os diferentes escalões etários dos utilizadores.

Uma conclusão parece destacar-se: o numerário não é visto apenas como um meio de pagamento, mas também como uma reserva de valor. Com base neste princípio, e analisando os vários fatores que influenciaram a sociedade europeia desde 2019, os autores procuram projetar a evolução futura do uso do numerário.

Os dados compilados mostram que a pandemia de Covid-19 foi um fator fundamental para que mais pessoas passassem a guardar dinheiro em casa — hábito que se revelou surpreendentemente mais prevalente entre os grupos etários mais jovens. Esta prática manteve-se mesmo após o controlo da pandemia. Assim, de acordo com os dados analisados, “os grupos etários mais jovens (18-37 anos) têm uma propensão surpreendentemente elevada e estatisticamente significativa para poupar dinheiro em casa. Esta tendência diminui rápida e significativamente no início da idade adulta, atingindo o seu ponto mais baixo entre os 60 e os 70 anos, antes de voltar a crescer entre os mais idosos.”

“Os padrões etários de transações, a tendência dos adultos mais jovens para guardar dinheiro em casa, e a percepção partilhada — potencialmente intensificada entre os jovens que utilizam mais os sistemas online — de que é importante ter dinheiro como opção, desafiam as narrativas de uma mudança unidirecional no sentido de uma sociedade sem numerário”, refere o estudo. “A idade está claramente associada a variações na utilização do dinheiro.” À medida que os jovens entram no mercado de trabalho, estabelecem uma vida independente e gerem as suas finanças no início da carreira, o dinheiro parece assumir funções importantes para além do simples meio de pagamento, destacando-se o seu papel como reserva de valor.

Os grupos de meia-idade apresentam padrões de transação distintos, nomeadamente uma diminuição mais acentuada nas transações em numerário do que outros grupos etários ao longo dos cinco anos analisados. As faixas etárias mais velhas demonstram, de forma consistente, uma maior utilização do dinheiro em transações e atribuem-lhe maior importância, embora demonstrem menos propensão para o utilizar como reserva de valor.

“Os efeitos observados da idade sugerem que as gerações futuras poderão continuar a depender do dinheiro em numerário como hoje, o que indica que é provável que o seu uso persista”, refere o documento, sublinhando que isso poderá representar “uma tendência que contraria a atual transição, amplamente universal, para a digitalização — quando analisada apenas com base em fatores demográficos”.

“Embora a digitalização contínua dos pagamentos esteja a reduzir as transações em numerário, este continua a apresentar flutuações sustentadas e periódicas quanto à sua importância percebida e ao seu papel como reserva de valor. As previsões de há 20 anos sobre a substituição rápida ou completa do dinheiro ainda não se concretizaram, em parte porque não consideraram as diversas formas como o dinheiro continua a ser útil para as pessoas”, conclui o estudo dos especialistas do BCE.

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