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Juros mantêm-se nos 2%, mas crescimento da economia é revisto em baixa para 0,9%

BCE prevê uma inflação de 2,6% em 2026. Comité de Política Monetária esperou por informações até 11 de março para tomar a decisão.

19 Mar 2026 - 13:47

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Christine Lagarde e Luís de Guindos, Presidente e vice-presidente do BCE/Foto: BCE

Christine Lagarde e Luís de Guindos, Presidente e vice-presidente do BCE/Foto: BCE

Em atualização

Tal como esperado, o Conselho do Banco Central decidiu nesta quinta-feira manter inalteradas as três principais taxas de juro do BCE: 2%, 2,15% e 2,40%, respetivamente. Segundo um comunicado divulgado pela entidade liderada por Christine Lagarde, o BCE “está determinado a assegurar que a inflação estabilize no objetivo de 2% no médio prazo”, acrescentando que “a guerra no Médio Oriente tornou as perspetivas significativamente mais incertas, criando riscos em alta para a inflação e riscos em baixa para o crescimento económico”.

O conflito terá um impacto relevante na inflação no curto prazo, através do aumento dos preços da energia. “As suas implicações no médio prazo dependerão tanto da intensidade e duração do conflito como da forma como os preços da energia afetam os preços ao consumidor e a economia”, acrescenta o comunicado.

O Conselho do Banco Central afirma estar “bem posicionado para lidar com esta incerteza. A inflação tem estado próxima do objetivo de 2%, as expectativas de inflação de longo prazo permanecem bem ancoradas e a economia tem demonstrado resiliência nos últimos trimestres”.

“A informação que venha a ser recebida no período seguinte ajudará o Conselho a avaliar de que forma a guerra afetará as perspetivas para a inflação e os riscos que lhe estão associados. O Conselho acompanha de perto a situação e a sua abordagem dependente dos dados permitirá ajustar a política monetária de forma adequada”, continua o comunicado.

As novas projeções dos serviços do BCE incorporam, de forma excecional, informação até 11 de março, uma data de fecho mais tardia do que o habitual.

Segundo o BCE, “no cenário de referência, prevê-se que a inflação global atinja, em média, 2,6% em 2026, 2,0% em 2027 e 2,1% em 2028. Em comparação com as projeções de dezembro, a inflação foi revista em alta, sobretudo para 2026, devido ao aumento dos preços da energia associado à guerra no Médio Oriente”.

“No que respeita à inflação excluindo energia e produtos alimentares, os serviços projetam uma média de 2,3% em 2026, 2,2% em 2027 e 2,1% em 2028. Estes valores também são superiores aos das projeções de dezembro, principalmente devido ao efeito indireto do aumento dos preços da energia”, acrescenta.

Os serviços preveem que o crescimento económico se situe, em média, em 0,9% em 2026, 1,3% em 2027 e 1,4% em 2028. Isto representa uma revisão em baixa, sobretudo para 2026, refletindo os efeitos globais da guerra nos mercados de matérias-primas, nos rendimentos reais e na confiança.

Ao mesmo tempo, o baixo desemprego, a solidez dos balanços do setor privado e a despesa pública em defesa e infraestruturas deverão continuar a sustentar o crescimento.

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