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Mercado dividido sobre ‘trading’ 24 horas por dia

CEO da Euronext revela que há quem prefira até diminuir horários de negociação. Vantagens passam pela acessibilidade a investidores internacionais e adaptação mais rápida a acontecimentos.

26 Dez 2025 - 07:07

4 min leitura

Foto: Pixabay

Foto: Pixabay

Na semana passada, o CEO da Tradeweb, Billy hult, revelou acreditar que, no futuro, a norma vai ser os mercados funcionarem 24 por dias. O CEO da empresa sublinhou, citado pela Reuters, que a ideia tem ganhado tração em Wall Street. Por cá, ainda não há consenso sobre o assunto, segundo revela a CEO da Euronext Portugal, Isabel Ucha, ao Jornal PT50.

“A Euronext considera que qualquer extensão do horário de negociação deve ser orientada pela procura dos clientes”, esclarece a gestora da bolsa lisboeta. A empresa revela que “mantém um diálogo contínuo com os seus clientes sobre a eventual extensão dos horários de negociação, não existindo ainda um consenso claro”, acrescenta. Mais ainda, a Euronext indica que há participantes do mercado que são até “favoráveis à redução do número de horas”.

A líder da Euronext a nível nacional justifica que, “tendo em conta a ausência de consenso entre os participantes do setor – tanto do buy-side como do sell-side, bem como das associações do setor – a Euronext não vê, neste momento, necessidade imediata de agir no sentido de rever o seu horário global de negociação”.

Por sua vez, João Cruz, analista de mercados da XTB, realça que esta é uma realidade “plausível e, em parte, já acontece. As ações dos EUA já têm pré-mercado e ‘after-hours’, e existe negociação fora do horário regular”. “O objetivo atual é formalizar e regularizar o regime de funcionamento quase contínuo (23 horas por dia, 5 dias por semana), para assim responder à procura internacional. Dito isto, a adoção total depende de aprovação regulatória”, esclarece.

Também a Euronext Lisboa recorda que existem exceções para alguns segmentos de mercado, “alargados para responder à procura do retalho”. A empresa explica que “é o caso, nomeadamente, dos ‘warrants’ e certificados, cujos mercados estão abertos até às 21 horas, e das ações, com negociação ‘after-hours’ até às 19h30.

“A Euronext tem defendido a adaptação dos horários de processamento ‘post-trade’ no contexto da transição para o regime de liquidação em T+1, incluindo o alargamento do horário de funcionamento do Target2-Securities, posição que está agora refletida nas recomendações da T+1 Industry Taskforce publicadas em 30 de junho de 2025”, sublinha Isabel Ucha.

Quais as vantagens associadas

De acordo com o analista da XTB, existem várias vantagens associadas ao horário alargado da negociação. A principal diz respeito ao “aumento da acessibilidade, sobretudo para investidores fora dos EUA, que passam a poder negociar em horários mais compatíveis com o seu fuso horário”.

A par disto, o alargamento pode ainda “permitir que notícias divulgadas durante a noite, como resultados, desenvolvimentos geopolíticos ou decisões políticas, sejam incorporadas nos preços de forma mais imediata, reduzindo ‘gaps’ na abertura da sessão regular”, acrescenta João Cruz.

Por outro lado, os riscos associados estão relacionados com a menor liquidez fora das “horas centrais”, o que, por norma, se traduz em ‘spreads’ mais largos e maior volatilidade, alerta o analista de mercados. Isto pode tornar a execução “mais cara e menos eficiente, em especial em ações menos líquidas”.

A estes riscos acrescem desafios operacionais, considera João Cruz. “Mais horas de negociação implicam maior exigência tecnológica, de gestão de risco e de recursos humanos para bolsas, corretoras e intermediários”.

Quem beneficia do alargamento da negociação

O analista da XTB entende que “os benefícios podem repartir-se, mas de forma diferente”. Para os investidores, especialmente os internacionais e os de retalho mais ativos, “o ganho é claro em termos de flexibilidade e capacidade de reagir a eventos fora do horário normal”.

Do lado das empresas do ecossistema do mercado financeiro, como bolas de valores, corretoras e ‘market-makers’, “existe potencial de aumento de volume e receitas, embora com custos adicionais de infraestrutura, risco e operações”, explica.

Já os fundos e investidores institucionais, acredita que a vantagem vai depender da liquidez efetiva nas novas janelas de negociação. Caso exista, “um mercado mais longo pode facilitar ajustamentos e ‘hedges’ mais contínuos”. No caso de a liquidez ser mais limitada, “é provável que continuem a concentrar a maior parte da execução no horário regular para reduzir custos de transação”.

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