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Nobel da Economia 2025 Philippe Aghion critica obstáculos regulatórios ao avanço da IA
Philippe Aghion acredita que há potencial de crescimento da economia com a influência da IA. Álvaro Santos Pereira, por outro lado, acredita que o DORA foi um avanço, mas não contempla tudo.
27 Out 2025 - 12:17
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Philippe Aghion, Nobel da Economia 2025 | Foto: Harvard Club of France
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Philippe Aghion, Nobel da Economia 2025 | Foto: Harvard Club of France
Philippe Aghion, um dos laureados com o Prémio Nobel da Economia de 2025, participou na conferência organizada nesta segunda-feira pelo Banco de Portugal, sobre “Artificial Intelligence and Financial Stability: Navigating Risks and Opportunities”. Na sua intervenção, deixou críticas à forte regulação europeia que impede maiores avanços na área da Inteligência Atificial (IA).
O economista argumenta que a regulação em demasia pode ser uma barreira ao crescimento económico que esta tecnologia pode potenciar. Aghion acredita que há competências regulatórias “inapropriadas” que estão a inibir a IA e é necessária uma reforma para impedir isto.
Aghion citou vários estudos que apontam para os impactos positivos da IA nas empresas. De acordo com um desses, conduzido nos EUA, após um mês de adoção de ferramentas deste género, a produtividade tinha aumentado 14%. Ao fim de dois meses, 25%. A conclusão geral do economista: o crescimento do PIB é maior com IA do que sem ela.
Sobre os receios desta tecnologia, afirmou que a IA não vai gerar desemprego em massa. Contudo, acredita que são necessárias as políticas corretas no campo da educação e do mercado laboral para que os impactos positivos existam.
Também o governador do Banco de Portugal, Álvaro Santos Pereira, mencionou a produtividade na sua intervenção nesta mesma conferência. O novo líder da instituição não tem dúvidas sobre a aceleração da produtividade, que, segundo caracteriza, tem sido lenta nas últimas duas a três décadas.
A IA deve ter um impacto significativo ao longo dos próximos dez anos, sublinha Santos Pereira, que atenta no facto de nem se estar a ponderar outras evoluções tecnológicas para estas previsões, como é o caso da computação quântica, por exemplo.
No que diz respeito ao setor financeiro propriamente dito, o governador do banco central recorda que este sempre foi adepto de inovações tecnológicas. Contudo, reitera, é preciso preparação para os riscos. A cibersegurança é um tema relevante e com impacto na estabilidade financeira, alerta o governador.
Indo um pouco no sentido contrário ao do Nobel da Economia, Álvaro Santos Pereira recorda que o regulamento DORA é “um passo em frente importante”, mas, apesar dos avanços, não incorpora a resiliência macroprudencial necessária. O governador acredita que os supervisores devem manter-se à frente dos problemas que possam surgir.
Sobre a IA, defende que esta deve aumentar as capacidades, mas não substituir as pessoas. São ferramentas e devem agir como copilotos. Na semana passada, no X Fórum para a Supervisão Comportamental, Álvaro Santos Pereira referiu que os bancos devem ser responsabilizados pelos seus algoritmos e voltou, nesta segunda-feira, a recuperar a ideia da responsabilização, mas neste caso para as pessoas, pois estas usam as ferramentas, mas são as responsáveis por elas.
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