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“O investimento não deve ser visto como algo reservado a alguns”
Em plena Semana Mundial do Investidor, a comissária europeia Maria Luís Albuquerque falou ao Jornal PT50 sobre as contas europeias de investimento, a sua cruzada pela literacia financeira e o diálogo necessário com os bancos.
09 Out 2025 - 07:15
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Foto: Comissão Europeia
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Foto: Comissão Europeia
A Comissária para os Serviços Financeiros e a União das Poupanças e dos Investimentos quer massificar as chamadas Contas de Poupança e Investimento em toda a Europa. Ao Jornal PT50, Maria Luís Albuquerque afirma que “o investimento não deve ser visto como algo reservado a alguns” e defende que a recomendação sobre estes instrumentos financeiros “é apenas o início de um processo que queremos ver traduzido em resultados concretos, para benefício dos cidadãos e da economia europeia”.
Durante a Semana Mundial do Investidor — uma iniciativa da IOSCO, a Organização Internacional das Comissões de Valores Mobiliários, que termina no próximo domingo —, Maria Luís Albuquerque sublinha que “as Contas de Poupança e Investimento (Savings and Investment Accounts – SIAs) já demonstraram, nos países onde existem, trazer vantagens significativas para os cidadãos, permitindo que parte das suas poupanças alcance melhores rendimentos. O investimento não deve ser visto como algo reservado a alguns — é uma oportunidade que deve estar ao alcance de todos. A nossa proposta torna isso possível, permitindo investir a partir de montantes reduzidos, como 10 euros, e oferecendo a cada cidadão a possibilidade de ver o esforço do seu trabalho e da sua poupança justamente recompensado, caso assim o entenda”.
Questionada pelo Jornal PT50 sobre se não receia uma oposição cerrada por parte dos bancos europeus à sua proposta, a comissária europeia responde: “O diálogo com os bancos e com todos os intervenientes é essencial. Não se trata de impor soluções, mas de construir em conjunto um sistema que beneficie todos: cidadãos, que obtêm melhores retornos ao investir nos mercados de capitais; empresas, que reforçam a sua competitividade ao aceder a financiamento de capital em vez de dívida; e economias, que se tornam mais integradas, eficientes e resilientes”.
Quando questionada sobre se gostaria que Portugal desempenhasse um papel de vanguarda na generalização das Contas de Poupança e Investimento, Maria Luís Albuquerque afirma que “todos os países têm um papel a desempenhar — e muito a ganhar. Queremos que cada Estado-Membro possa adaptar e implementar esta recomendação, contribuindo para uma verdadeira União da Poupança e do Investimento, ao serviço de todos os europeus”.
A comissária esteve ontem na Associação Europeia de Gestão de Fundos e Ativos, em Bruxelas, onde voltou a defender a estratégia da União da Poupança e do Investimento (UPI), salientando que “os investidores de retalho precisam de estar preparados para navegar nas novas realidades e de ser capazes de tomar decisões informadas com confiança”.
Maria Luís Albuquerque adiantou ainda que apresentará, antes do final do ano, duas propostas importantes: “a primeira visa reforçar as pensões complementares e a segunda procurará eliminar as barreiras — tanto de supervisão como transfronteiriças — que continuam a fragmentar os nossos mercados de capitais”.
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