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Tensões nos mercados de energia podem trazer instabilidade financeira

Fabio Panetta, membro do Conselho de Governadores do Banco Central Europeu, afirma que, mesmo com o fim do conflito no Médio Oriente, a recuperação do fornecimento de energia só deverá ocorrer no final de 2026.

02 Abr 2026 - 15:21

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Fabio Panetta, governador do Banco de Itália/Foto: Banco de Itália

Fabio Panetta, governador do Banco de Itália/Foto: Banco de Itália

As tensões nos mercados de energia, decorrentes da guerra entre os Estados Unidos e Israel contra o Irão, são motivo de preocupação pelas suas potenciais repercussões na estabilidade financeira, afirmou nesta quinta-feira Fabio Panetta, membro do Conselho de Governadores do Banco Central Europeu.

Num discurso proferido numa conferência em Roma, Panetta sublinhou que alterações na perceção de risco dos investidores globais podem rapidamente traduzir-se em pressão sobre a dívida soberana, especialmente tendo em conta os elevados níveis de dívida pública em muitas economias, como a italiana.

“Já existem sinais que apontam nesse sentido, uma vez que a valorização do dólar, a pressão sobre as taxas de juro de longo prazo e a saída de capitais dos mercados emergentes refletem uma crescente preferência por ativos mais seguros”, afirmou.

No mesmo evento, o ministro dos Negócios Estrangeiros italiano, Antonio Tajani, alertou que o conflito poderá aumentar os fluxos migratórios, caso o Estreito de Ormuz — principal via de passagem para grandes quantidades de fertilizantes, sobretudo destinados a África, além de petróleo e gás — permaneça amplamente bloqueado.

Panetta alertou ainda para os níveis de liquidez e alavancagem nas instituições financeiras não bancárias, num contexto em que os investidores demonstram crescente preocupação com o setor de crédito privado nos Estados Unidos.

Mesmo que o conflito, que envolveu toda a região do Golfo, tenha um desfecho rápido, o regresso à normalidade na produção energética levará tempo, afirmou Panetta, apontando para cenários mais pessimistas do BCE, segundo os quais o fornecimento de energia apenas deverá recuperar no quarto trimestre de 2026 ou mesmo em 2027.

A inflação na zona euro subiu acentuadamente para 2,5% em março, face a 1,9% em fevereiro, devido ao aumento dos preços da energia.

Estes dados “destacam a intensidade e a velocidade com que o choque energético está a ser transmitido, cujos efeitos deverão também refletir-se nos dados dos próximos meses”, afirmou.

“Ao mesmo tempo, a evolução dos indicadores antecedentes, em particular a queda da confiança das famílias, aponta para uma possível desaceleração da economia real.”

Apesar do cenário adverso, tanto Panetta como Tajani consideram que a Itália está atualmente numa posição mais favorável do que quando a Rússia iniciou a guerra contra a Ucrânia, em 2022, uma vez que os investidores têm agora uma perceção mais positiva das finanças públicas italianas.

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