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Um Segredo
Por Cristina Dias Neves, Diretora do Jornal PT50
20 Mar 2026 - 19:52
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Há invariavelmente uma discussão em torno das notícias que se debruçam sobre a publicação dos ordenados dos altos quadros do sistema financeiro. Não é, de todo, consensual escrever sobre esse assunto. Uns acham que é informação pertinente que deve ser publicada; outros consideram-no um tema pouco relevante, muito menos digno de jornais sérios.
Dito isto, vou contar-vos um segredo: basta uma notícia inócua sobre o ordenado de alguma destas pessoas para que as visualizações de qualquer meio de comunicação social aumentem exponencialmente. Um dilema, portanto.
Esta história vem a propósito do tema da reforma antecipada do ex-governador do Banco de Portugal, Mário Centeno. Mais um assunto que correu esta semana como um rio nos jornais e que acredito ser apenas alimentado por esta curiosidade quase patológica do povo português pelas condições financeiras particulares das pessoas.
Não se trata aqui da ilegalidade do acordo entre o atual governador e o ex-governador. Também não se trata de uma possível violação dos estatutos do fundo de pensões em questão. Não. Pelo que percebi, isso já foi tudo escrutinado ao detalhe. Trata-se, sim, de saber quanto é que o ex-governador vai ganhar e de denunciar esse vencimento como um eventual privilégio que deveria ser estendido aos demais. Claro que André Ventura, com o seu Chega, aproveita logo para mais um espetáculo na Assembleia da República. Que, infelizmente, até eu, que não estou imune à força centrifuga de um espetáculo, estou curiosa para ver.
Pela minha parte, devo dizer que, havendo enquadramento legal — o que não duvido —, parece-me muito mais sensato antecipar a reforma de um ex-governador do que deixá-lo a ocupar uma prateleira dourada. E aplaudo a possibilidade de estender esta prática a todas estas situações. As teses que li sobre a alegada vontade maquiavélica deste Governador de afastar a influência do seu antecessor nos corredores da instituição parecem-me apenas um grande disparate. Fizeram o que qualquer bom gestor faria: o Banco de Portugal poupou dinheiro e o professor Mário Centeno ganhou uma nova vida para aproveitar todo o seu potencial. Que desfrute.
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