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150 bancos centrais e autoridades de supervisão de 95 países já integram os riscos climáticos e ambientais no sistema financeiro
Presidente do BCE diz que a onda de calor do verão passado contribuiu para um aumento de até 0,7 pontos percentuais nos preços dos alimentos não transformados na zona euro.
05 Mai 2026 - 17:52
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Christine Lagarde presidente do BCEFonte BCE
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Christine Lagarde presidente do BCEFonte BCE
A onda de calor do verão passado contribuiu para um aumento de até 0,7 pontos percentuais nos preços dos alimentos não transformados na zona euro, ao fim de um ano. A informação foi avançada pela presidente do Banco Central Europeu esta terça-feira, ao intervir em Frankfurt numa conferência sobre Clima, Natureza e Política Monetária organizada pelo BCE, pela Frankfurt School e pelo CETEX.
Christine Lagarde adiantou que “estes eventos também podem afetar a produção, e provavelmente de forma mais persistente do que se pensava. Estudos do BCE mostram que, quatro anos após uma seca ou inundação, a produção regional permanece, em média, cerca de 3 pontos percentuais abaixo do nível anterior”, acrescentando que “se choques climáticos extremos atingirem economias inteiras, a consequente fraqueza na atividade e nos rendimentos poderá reduzir a procura, exercendo potencialmente pressão em baixa sobre a inflação global”.
Lagarde referiu ainda que “à medida que os governos prosseguem com a transição verde, os bancos centrais têm também a oportunidade de analisar como a descarbonização molda o ambiente macroeconómico — incluindo as suas implicações para a inflação”, dando como exemplo “a implementação do ETS2, que alarga a fixação do preço do carbono na UE aos edifícios e ao transporte rodoviário pela primeira vez. O BCE já inclui o ETS2 nas suas projeções macroeconómicas, estimando que acrescentará cerca de 0,2 pontos percentuais à inflação global na zona euro em 2028”.
Este acumular de evidência tem servido de base para novas redes, estruturas e medidas. “Algumas dessas redes têm prosperado. Por exemplo, a Network for Greening the Financial System, lançada em 2017 com apenas oito membros, reúne agora mais de 150 bancos centrais e autoridades de supervisão de 95 países”, referiu Lagarde.
“O próprio NGFS tornou-se um motor de aprendizagem coletiva. Os seus cenários climáticos, agora na quinta versão — cada vez mais sofisticados — são prova do que a cooperação entre tantas instituições pode produzir”, concluiu a responsável.
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