Subscrever Newsletter - Mantenha-se atualizado sobre tudo o que se passa no sistema financeiro.

Subscrever Newsletter

Mantenha-se atualizado sobre tudo o que se passa no sistema financeiro.

Submeter

Ao subscrever aceito a Política de Privacidade

5 min leitura

Andrew Bailey reafirma que o sistema bancário está “resiliente”, mas alerta para a possibilidade de uma tempestade perfeita

Presidente do Conselho de Estabilidade Financeira esteve no Parlamento Europeu e falou do “problema da salsicha” para descrever o crédito privado

09 Abr 2026 - 12:49

5 min leitura

O presidente do Conselho de Estabilidade Financeira, Andrew Bailey/Foto: Parlamento Europeu

O presidente do Conselho de Estabilidade Financeira, Andrew Bailey/Foto: Parlamento Europeu

Andrew Bailey esteve, nesta quinta-feira, no Comité de Assuntos Económicos e Monetários do Parlamento Europeu para falar dos desafios que o sistema financeiro atual enfrenta. O presidente do Conselho de Estabilidade Financeira (FSB) afirmou que “muitas vezes as pessoas perguntam-me: o que é que o mantém acordado à noite? Existem duas ou três coisas com as quais temos de ter cuidado. A primeira é a conjugação de vários fatores a acontecer ao mesmo tempo. Temos mercados muito voláteis, e se isso coincidir com a questão do crédito privado? E se os investidores e utilizadores do crédito privado perderem confiança neste instrumento financeiro? Aí teremos um problema muito maior. Do ponto de vista da estabilidade financeira, temos de estar muito atentos a esta questão”.

Para Bailey, que também é governador do Banco de Inglaterra, “não podemos pensar naqueles riscos como ameaças compartimentadas. Temos de equacionar a hipótese de os riscos ocorrerem em simultâneo”.

Apesar destes receios, o presidente do FSB não tem dúvidas ao afirmar que “o sistema bancário está resiliente”. “É pelo facto de o sistema mostrar resiliência que temos vindo a adotar várias reformas. Não digo que todas as medidas adotadas em todas as jurisdições estejam a funcionar, mas não existirá crescimento económico sem um sistema financeiro estável. O sucesso no sistema financeiro mundial verifica-se quando nada de imprevisto acontece.”

Quanto às relações entre o sistema bancário tradicional e os chamados “não bancos”, o responsável considera que “é importante estabelecer a distinção entre as funções dos bancos e dos não bancos. Mas é errado pensar que os dois sistemas estão isolados um do outro, porque não estão — e com isto não me estou a contradizer. A realidade é que as relações entre os bancos e os não bancos evoluíram e modificaram-se. Os bancos continuam a ser a principal fonte de liquidez para os não bancos, o que é absolutamente natural”.

“Temos de testar essas relações”, acrescenta Bailey, salientando que “temos de colocar a questão: como é que os não bancos podem constituir uma ameaça para a estabilidade do sistema financeiro? E através de que canais podem surgir essas ameaças? Procuramos identificar esses problemas através de testes de stress diferenciados. Os testes de stress clássicos analisam o balanço das instituições e aplicam-lhe uma série de cenários para avaliar quais seriam os resultados e se os bancos resistem”.

No caso dos testes de stress aplicados ao fenómeno dos não bancos, estes são realizados tendo em conta as suas relações com os bancos e não apenas o seu balanço num determinado momento. “Temos uma visão relacional e dinâmica das atividades dessas entidades, aplicamos-lhes testes de stress e avaliamos como respondem a essas situações de tensão. Como é que afetam o relacionamento dos não bancos com os bancos e qual é o seu nível de resistência”, acrescentou, revelando que, no Reino Unido, será conduzido este ano um teste de stress com essas características, dirigido ao crédito privado.

Esse exercício será conduzido com a divulgação dos critérios de stress a aplicar, cabendo depois às instituições financeiras e aos não bancos reportar ao Banco de Inglaterra os resultados da aplicação desses critérios nas suas relações e nos seus negócios. “O que queremos perceber é se, ao aplicarem esses critérios de stress, as instituições vão resistir ou se o sistema acabará por colapsar”, referiu Bailey.

O presidente do FSB abordou ainda a questão do crédito privado, reconhecendo que têm existido alguns casos de incumprimento, em particular nos Estados Unidos. “Têm-me dito: não se preocupe, são casos isolados que resultam de fraudes e não podemos generalizar”, afirmou.

No entanto, o governador do Banco de Inglaterra utilizou uma comparação invulgar para fundamentar as suas reservas: “existe o risco de, se os investidores começarem a ver uma multiplicação de casos de incumprimento, perderem a confiança neste sistema de crédito como um todo. E isso foi uma das coisas que aconteceu com o crédito subprime na crise económica de 2008. Não estou a dizer que é isso que vai acontecer — tudo depende de como os investidores reagirem. A este propósito, existe uma expressão tipicamente inglesa a que chamamos ‘o problema da salsicha’. O que é ‘o problema da salsicha’? É que há pessoas que gostam de comer salsichas e, depois, quando lhes dizemos o que está dentro delas, a reação é: ‘humm… não sabia que as salsichas tinham isso!’”.

Subscrever Newsletter

Mantenha-se atualizado sobre tudo o que se passa no sistema financeiro.

Ao subscrever aceito a Política de Privacidade