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Ao contrário da maioria dos pares, um banco húngaro tem aumentado a exposição à Rússia
Enquanto a maioria dos bancos europeus abandonou a Rússia ou reduziu a sua atividade no país, o OTP Bank Group tem vindo a aumentar a sua exposição e carteira de crédito desde 2023.
22 Mar 2026 - 08:40
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Desde o início da invasão da Ucrânia em 2022, os bancos europeus têm sido pressionados a abandonar a sua atividade na Rússia. Várias instituições já iniciaram processos de venda devido às sanções, custos regulatórios e alto risco associado à exposição ao mercado russo. Contudo, há um banco que caminha sozinho na direção oposta: o OTP Bank Group, da Hungria.
Esta instituição, explica a Morningstar DBRS num comentário publicado sobre o assunto, não é supervisionada diretamente pelo Banco Central Europeu e, portanto, não recebeu uma ordem direta do regulador para cessar a operação russa. Contudo, o Banco Nacional da Hungria já recomendou ao OTP a redução da sua carteira de crédito a empresas na Rússia.
Ainda que o OTP tenha parado de conceder empréstimos a empresas russas e reduzido o portfólio de créditos empresariais, a sua exposição à Rússia, “tanto em termos absolutos como relativos”, aumentou desde 2023, maioritariamente devido a créditos a particulares.
Traduzido em números, é possível observar que os empréstimos a clientes russos aumentaram de 3,2% para 6,5% do crédito total do banco entre 2023 e 2025. Também o lucro na subsidiária russa tem aumentado. Em 2025, subiu 47% face ao ano anterior e representou 18% do resultado líquido do grupo, enquanto, em 2023, correspondia apenas a 9%.
Outras saídas dolorosas: RBI e UniCredit
Apesar de ser o único a aumentar a sua presença, o OTP não é a única instituição com presença no país. A DBRS relembra que o neerlandês ING e o italiano Intesa Sanpaolo aguardam, de momento, a aprovação regulatória para vender as suas operações e abandonarem o país.
O OTP Bank Group, apesar do crescimento, ainda não é o banco com maior exposição à Rússia. Esse título pertence ao Raiffeisen Bank International (RBI), um grupo bancário austríaco. Apesar da elevada exposição, a empresa reduziu substancialmente a sua posição no país, ainda que tenha encontrado dificuldades.
A exposição, em termos de crédito, manteve-se estável em 2025, após três anos de reduções notáveis, aponta a DBRS. Os empréstimos subiram 6% para 4,4 mil milhões, “refletindo sobretudo créditos pré-aprovados a multinacionais”. O resultado antes de impostos da subsidiária ascendeu a 406 milhões, abaixo dos 1,27 mil milhões registados em 2024. O contributo para o resultado antes de impostos do grupo caiu de 53% em 2023 para 15% em 2025, mantendo ainda uma proporção considerável.
“Em 2025, um tribunal russo impôs coimas significativas ao RBI, que ascendiam a cerca de 2,4 mil milhões de euros, devido a uma transação de venda que não ocorreu devido ao contexto de sanções da União Europeia”, recorda a DBRS. Os custos legais deste acontecimento impactaram negativamente os resultados em 2024 e 2025, segundo a agência de ‘rating’.
No final de 2025, o banco viu novas tentativas de venda da operação russa a serem bloqueadas pelas autoridades locais. De forma alternativa, o RBI tem reduzido os riscos associados à Rússia ao suspender pagamentos denominados em dólares americanos da Rússia para o exterior e encerrou também a sua atividade na Bielorrússia.
O RBI estima que uma saída “desordeira” da sua exposição relacionada com a Rússia teria um impacto negativo de 250 pontos base no seu rácio CET1, fazendo o mesmo baixar para 15,5%. Ainda assim, ficaria “bem acima” dos requisitos mínimos, nota a agência de ‘rating’.
A outra instituição que se mantém na Rússia, ainda que apresente sinais de planeamento da sua saída, é o UniCredit. O CEO do segundo maior banco de Itália, Andrea Orcel, já reiterou no passado que não pretende vender a subsidiária russa em condições não favoráveis. Sublinhou ainda que não tomaria ações que pudessem levar à nacionalização da empresa.
O banco tomou medidas para reduzir a sua presença na Rússia através da venda de ativos. Em 2025, adianta a DBRS, o UniCredit vendeu quase todo o seu portfólio de ‘leasing’ de longo prazo a uma empresa russa. Vários executivos de topo demitiram-se do banco no mesmo ano, o que a agência de ‘rating’ entende que pode ser a preparação para uma saída completa em 2026.
Mais ainda, logo no início da guerra, o UniCredit parou de conceder novos créditos, reduzindo a sua carteira de crédito russa. Em 2025, os empréstimos no país caíram 47% para 626 milhões. A subsidiária teve um lucro antes de impostos de 1,08 mil milhões no ano transato, uma subida face aos 719 milhões de 2024 – que a DBRS justifica terem sido afetados por custos extraordinários e provisões.
O UniCredit revelou que uma saída abrupta da Rússia iria reduzir o seu rácio CET1 em 84 pontos base.
Recorde-se que, perante o lançamento da Oferta Pública de Aquisição (OPA) do UniCredit sobre o rival doméstico Banco BPM, o executivo italiano, no exercício dos seus ‘golden powers’, impôs que, para autorizar a operação de consolidação, o UniCredit deveria encerrar toda a sua atividade russa até ao início de 2026. O resultado foi a retirada da OPA, com o banco liderado por Orcel a considerar que houve uma interferência pesada do Governo, que afetou o negócio.
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