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Banco de Portugal faz 400 inspeções por ano aos intermediários de crédito

O Governador do Banco de Portugal afirmou no Parlamento que “no crédito automóvel e nos cartões, o consumidor suporta custos mais elevados devido à atuação dos intermediários de crédito”.

01 Abr 2026 - 09:51

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Audição 17/9 parlamento, Álvaro Santo Pereira

Audição 17/9 parlamento, Álvaro Santo Pereira

Com mais de seis mil profissionais responsáveis por 57% dos contratos de crédito à habitação, os intermediários de crédito vieram revolucionar a intermediação financeira. Nove anos após a entrada em vigor do novo regime, que trouxe os intermediários de crédito para o perímetro de supervisão do banco central, é altura de alterar as regras que se lhes aplicam.

Álvaro Santos Pereira reconheceu nesta quarta-feira no Parlamento que, “se, ao nível do crédito à habitação, os consumidores beneficiam de custos mais baixos com a intervenção dos intermediários, o mesmo não acontece com o crédito automóvel e com os cartões de crédito, onde os custos para o consumidor são mais elevados”.

O responsável admitiu ainda alguma falta de transparência na atividade destes profissionais, ao referir que “em média, os intermediários têm uma vinculação a cinco entidades e estas entidades (bancos) têm, em média, cerca de 500 intermediários, mas a maioria dos contratos de crédito é celebrada com apenas uma ou duas entidades”.

“Neste aspeto, o consumidor está a ver apenas uma pequena fatia do mercado, que é aquela que o intermediário lhe apresenta”, referiu o Governador do Banco de Portugal.

Para alterar esta realidade, Álvaro Santos Pereira revelou que as alterações ao regime jurídico dos intermediários de crédito procuram atingir três objetivos fundamentais: maior simplificação, com a diminuição do número de elementos exigidos no registo; mais transparência, obrigando o intermediário de crédito a permitir uma comparação efetiva das ofertas das várias entidades de crédito; e, por último, um melhor acompanhamento da atividade dos intermediários de crédito por parte das próprias instituições financeiras.

“É preciso ter em conta que os intermediários de crédito atuam como uma extensão da atividade das instituições financeiras e estas devem assegurar a monitorização dos seus intermediários e acompanhar a gestão do risco”, afirmou.

Álvaro Santos Pereira revelou que o Banco de Portugal realiza, em média, 400 inspeções por ano aos intermediários de crédito, às quais se juntam as inspeções feitas aos bancos ao nível da gestão de risco, que também abrangem os intermediários de crédito.

O Governador acrescentou que estas inspeções vão ser reforçadas, assim como o número de colaboradores do Banco de Portugal nas suas delegações espalhadas pelo país.

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