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Bancos europeus reduzem dependência de soluções de ‘cloud’ dos EUA

A DBRS regista que “parece estar a surgir uma transformação mais ampla em vários Estados-membros da UE”, como Espanha, Itália, Países Baixos e países nórdicos, “onde os bancos estão a adotar cada vez mais arquiteturas ‘multicloud’”.

26 Mar 2026 - 17:36

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Foto: Pexels

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Os bancos europeus estão a alterar as suas estratégias na ‘cloud’ devido às tensões geopolíticas, às pressões regulatórias e ao desenvolvimento de soluções na Europa, reconsiderando a sua dependência em tecnológicas norte-americanas, refere um comentário da Morningstar DBRS.

“Nos últimos dois anos, observamos uma tendência em que os maiores bancos estão a reconsiderar a sua dependência dos gigantes digitais norte-americanos e a começar a transferir as suas cargas de trabalho mais sensíveis para soluções de ‘cloud’ soberanas europeias”, refere um comentário divulgado pela agência de notação financeira nesta quinta-feira. Em particular, os autores do comentário destacam as soluções operadas por fornecedores na Alemanha (Hetzner, Ionos e T-Systems) e França (Scaleway e OVHcloud).

Nesse sentido, o comentário regista que “parece estar a surgir uma transformação mais ampla em vários Estados-membros da UE”, como Espanha, Itália, Países Baixos e países nórdicos, “onde os bancos estão a adotar cada vez mais arquiteturas ‘multicloud’”.

Com estas ferramentas, os bancos reservam para ambientes sob soberania europeia dados sensíveis e cargas de trabalho fundamentais, deixando para as plataformas estadunidenses funções menos essenciais ou de menor risco. “As operações fundamentais continuam frequentemente nas instalações próprias, garantindo controlo máximo e independência operacional”, o que permite reduzir o risco de concentração, reforçar a resiliência operacional e a proteção contra falhas de sistema e cibernéticas.

Os autores sublinham que estas medidas dos bancos europeus acabam por proteger os clientes, a estabilidade financeira e a continuidade dos serviços bancários essenciais.

“Ao diversificarem as suas estratégias de ‘cloud’ e ao reforçarem a sua dependência de fornecedores europeus, os bancos estão a posicionar-se para dar resposta às expectativas regulamentares mais rigorosas em matéria de governação de dados, garantindo simultaneamente uma maior independência face a pressões políticas e tecnológicas externas”, apontam os autores do comentário.

Os bancos europeus têm reduzido a sua dependência de fornecedores de serviços como a Amazon Web Services (AWS), o Microsoft Azure ou a Google Cloud, com os crescentes receios sobre a soberania dos dados e o cumprimento de normas europeias. Os autores remetem para os conflitos entre o americano CLOUD Act, de 2018, que obriga os fornecedores de serviços a entregarem os dados sobre clientes às autoridades dos EUA caso seja solicitado – incluindo dados hospedados na Europa –, e o Regulamento Geral de Proteção de Dados (RGPD).

O comentário debruça-se ainda sobre os riscos da dependência de sistemas singulares e apontou para consequências como as verificadas na falha de serviço da Crowdstrike, em 2024, e aquando de ataques com drones a centros de dados nos Emirados Árabes Unidos. “A dependência concentrada num conjunto limitado de fornecedores de serviços pode, assim, colocar sérias ameaças à continuidade dos negócios e a uma estabilidade financeira alargada”, registam.

 

Agência Lusa

Editado por Jornal PT50

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