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Bancos podem perder 35% das receitas dos seus mercados para ‘fintechs’ até 2030

O estudo da Bain & Company indica que, em números, esta redução significa uma perda de entre 5 a 6 biliões de dólares para os bancos. Consultora recomenda foco estratégico e simplificação para acompanhar fintechs'.

31 Mar 2026 - 11:42

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Foto: Freepik

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A ascensão dos novos agentes tecnológicos no mercado financeiro é um acontecimento inegável e cada vez mais presente. Um estudo da Bain & Company demonstra que os bancos podem “ver uma parte significativa das suas receitas desaparecer até ao final da década”.

A consultora sublinha que, “no início dos anos 2000, os bancos incumbentes captavam mais de 95% das receitas nos seus mercados. Atualmente, esse valor ronda os 80% e poderá cair para cerca de 65% até ao final da década, refletindo uma transformação estrutural no setor”. Traduzido em números, “esta erosão poderá representar uma perda global entre 5 e 6 biliões de dólares até 2030”, reforça em comunicado.

O estudo indica que, apesar dos atuais lucros recorde do setor bancário, existe uma “tendência visível”, tanto a nível europeu como a nível nacional, em que “o setor enfrenta uma pressão crescente de empresas tecnológicas que competem com modelos mais ágeis e centrados no cliente”.

Segundo a Bain & Company, a concorrência entre os bancos e as ‘fintechs’ manifesta-se em várias áreas, como gestão de património, pagamentos, crédito e mercado de capitais, sendo impulsionada por tendências como Inteligência Artificial (IA), ‘stablecoins’, plataformas digitais e novas formas de financiamento. A consultora alerta ainda que estes novos atores do mercado estão a “ganhar escala, acesso a dados e proximidade ao cliente”.

“Embora a banca continue a desempenhar um papel central no financiamento da economia, nos investimentos empresariais e na transição energética, a Bain considera que estas mudanças tornam o setor mais exposto a novos riscos e a uma concorrência cada vez mais fragmentada”, nota a empresa.

Neste sentido, Francisco Montenegro, ‘partner’ da Bain & Company, considera que “os resultados atuais da banca podem dar uma falsa sensação de segurança” quando, na realidade, “o setor está a perder terreno de forma estrutural para concorrentes digitais, que operam com modelos mais ágeis e orientados para dados”.

Como responder a este novo contexto

A Bain & Company acredita que os CEO da banca tradicional se devem concentrar em seis áreas “estratégicas” para “antecipar desafios e reforçar a posição competitiva na próxima década, contribuindo assim para o crescimento e sucesso futuro”.

Em primeiro lugar, a consultora acredita que os bancos se devem focar em áreas onde podem ser “indispensáveis”, argumentando que “é preferível dominar áreas específicas do que ter presença dispersa sem liderança clara”. De seguida, considera que a confiança e a lealdade dos clientes “deve ser gerida como um ativo estratégico”, dado que, “num mercado com muita escolha, falhas na experiência, falta de transparência ou problemas de segurança destroem rapidamente a confiança”.

“A inovação deve ser rápida e contínua”, realça a Bain & Company, defendendo que “os bancos precisam de recuperar uma cultura ágil, onde testar e lançar soluções em poucos meses é a norma”. Não devem esquecer que “parceiros podem evoluir para concorrentes”. Assim, “é essencial definir onde colaborar, competir ou liderar, e estruturar parcerias que permitam criar e capturar ao longo da cadeia”.

A Bain & Company aconselha ainda a modernizar o modelo de negócio. “Mais do que atualizar sistemas, é necessário reinventar o negócio com base em dados e novas tecnologias. O uso inteligente de dados e IA pode criar experiências diferenciadoras e vantagens difíceis de replicar”, acrescenta.

Por fim, recomenda a simplificação da operação, de forma a acelerar processos. “Reduzir a burocracia, simplificar processos e alinhar incentivos com rapidez e qualidade é fundamental para acelerar a transformação”, remata.

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