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Bancos portugueses preparados para impactos da guerra no Médio Oriente
Almofadas de liquidez permitem resistir, embora existam preocupações com a duração do conflito
10 Mar 2026 - 14:29
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Setor bancário nacional
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Setor bancário nacional
Responsáveis de alguns dos principais bancos em Portugal consideraram nesta terça-feira que o setor está preparado para os choques da guerra no Irão, remetendo para experiências recentes e para a preparação face à instabilidade.
“As empresas portuguesas, acho eu, estão mais preparadas”, incluindo no caso dos bancos, que têm “uma capacidade de financiamento, de capital e de liquidez bastante sólida”, disse o presidente da Comissão Executiva da Caixa Geral de Depósitos (CGD), Paulo Macedo.
No Fórum Banca 2026, organizado pelo Jornal Económico em Lisboa, o líder do banco público apontou que o aumento do preço dos combustíveis, dos transportes e da inflação é “um cenário que naturalmente preocupa”, mas defendeu que “vale a pena ver as experiências recentes”.
Nesse sentido, Paulo Macedo considerou que as empresas de muitos setores “tiveram uma grande resiliência e tiveram bons anos” em 2024 e 2025.
“Não vejo de forma alguma que isto seja uma situação de pânico. A questão é se, de facto, a situação se prolongar”, acrescentou, rejeitando que a situação seja, neste momento, catastrófica.
“Se tivermos um contexto de inflação, ou este aumento de preços é absorvido por uma parte da margem das empresas, ou é totalmente repercutido nos consumidores”, disse, recordando que, nas últimas ocasiões, “foi bater na carteira das pessoas”.
Já o presidente da Comissão Executiva do Millennium BCP, Miguel Maya, admitiu que as maiores incertezas nos últimos anos têm tornado a banca “mais rigorosa e defensiva”.
“Tornam a banca a ter de trabalhar múltiplos cenários, a dispor de mais capital e a estar preparada para ciclos que já não são de dez em dez anos e que muitas vezes ocorrem dentro do próprio ano”, apontou.
A solução é, na sua opinião, “fazer uma avaliação cuidada do risco e ter sempre cenários contingentes preparados para poder lidar com estes períodos”.
A presidente executiva do Santander, Isabel Guerreiro, reforçou que é fundamental que os bancos e as empresas tenham “uma enorme velocidade e uma grande capacidade de adaptação”.
“O mundo hoje é volátil, incerto, complexo e ambíguo, e a velocidade a que as coisas acontecem já não é em semanas ou meses, é em horas”, afirmou, acrescentando que o que o seu banco está a fazer é “perceber o que é ruído e o que são sinais”.
Admitindo que pode haver consequências de um encerramento prolongado do estreito de Ormuz, Isabel Guerreiro considerou que a instituição que lidera está preparada para atuar e defendeu que a banca portuguesa “está hoje muito mais capacitada do que estava há cinco ou dez anos”.
O presidente executivo do BPI, João Pedro Oliveira e Costa, também destacou a evolução do ambiente global, remetendo para “uma alteração sistemática das condições”.
“É muito difícil, neste momento, antecipar o que vai acontecer”, apontou, destacando os impactos dos preços da energia na circulação de bens e no turismo.
O presidente do Crédito Agrícola, Sérgio Frade, referiu que o banco tem estado “continuamente a rever estratégia” nos últimos meses e que a instituição tem procurado ser mais ágil, resiliente e adaptável.
O responsável disse ainda que o Crédito Agrícola tem falado com os clientes, nomeadamente no setor agrícola, para “serem mais adaptáveis e terem mais flexibilidade nas suas cadeias de abastecimento”, de forma a reduzir a sua exposição.
Já Pedro Leitão, do Montepio, acredita que, com “um radar bem montado” e com “a capacidade de distinguir o que é sinal do que é ruído”, os bancos portugueses “demonstraram que estão prontos e não só resilientes”.
Os Estados Unidos e Israel lançaram, em 28 de fevereiro, um ataque militar contra o Irão, tendo morto durante a ofensiva o ayatollah Ali Khamenei, líder supremo do país desde 1989.
O Irão encerrou o estreito de Ormuz e lançou ataques de retaliação contra alvos em Israel, bases norte-americanas e outras infraestruturas em países da região.
O estreito de Ormuz, que liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã, é atravessado por cerca de 20% do petróleo e por uma parte significativa do gás natural liquefeito comercializados por via marítima, segundo dados da Administração de Informação Energética dos Estados Unidos e das Nações Unidas.
Agência Lusa
Editado por Jornal PT50
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