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Berlim opõe-se à OPA da italiana UniCredit sobre o alemão Commerzbank
Autoridades germânicas dizem que a instituição tem “importância sistémica” e que a competência para análise do negócio é do Banco Central Europeu
16 Mar 2026 - 12:20
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Foto: Commerzbank AG
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Foto: Commerzbank AG
O Governo alemão reiterou nesta segunda-feira que uma aquisição hostil do banco alemão Commerzbank — no qual o Estado ainda detém 12% — pela financeira italiana UniCredit seria “inaceitável”, embora caiba ao segundo maior banco privado da Alemanha decidir sobre o seu futuro.
“A posição do Governo Federal a esse respeito é conhecida e não mudou em nenhum ponto. O Estado apoia a estratégia de independência do Commerzbank. Uma aquisição hostil, especialmente considerando que o Commerzbank é um banco de importância sistémica, não seria aceitável”, afirmou numa conferência de imprensa o porta-voz do Ministério das Finanças, Maximilian Kall.
Indicou que o Governo tomou nota do anúncio da UniCredit, que informou que apresentará uma oferta pública de aquisição voluntária sobre o banco alemão mediante uma troca de ações, com o objetivo de ultrapassar o limiar de 30% do capital social, embora tenha assegurado que não pretende assumir o controlo da entidade germânica.
O porta-voz ressalvou que, por enquanto, existe apenas um anúncio por parte da UniCredit — que atualmente controla 29,9% do Commerzbank — mas ainda não há uma oferta formal.
“Se o banco com sede em Milão apresentar uma oferta formal, então caberá ao Conselho de Administração e ao Conselho de Supervisão do Commerzbank examiná-la e emitir uma recomendação aos acionistas”, afirmou Kall.
“O Governo não é uma autoridade supervisora. A supervisão do Commerzbank compete ao Banco Central Europeu (BCE), que é independente, como sabem, nas suas avaliações”, sublinhou.
Se se tratasse de decidir se a UniCredit pode ultrapassar o limiar de 30% de participação, essa revisão “seria realizada de forma completamente independente”.
Haveria também uma análise em matéria de concorrência por parte do Escritório Federal de Cartéis (Bundeskartellamt) se se chegasse a esse ponto, e essa instituição atua igualmente de maneira independente, sustentou.
“Portanto, não somos a autoridade supervisora, mas a posição do Governo Federal é muito clara: do nosso ponto de vista, uma aquisição hostil não seria aceitável”, reiterou.
Questionado sobre por que o Governo se opõe a uma aquisição do Commerzbank quando, por outro lado, impulsiona energicamente a União dos Mercados de Capitais na Europa — e agora surge a possibilidade de criar um campeão europeu —, o porta-voz assinalou que não existe uma relação direta entre ambas as questões.
“O Governo observa que o Commerzbank tem sucesso com a sua estratégia de independência. Portanto, neste caso concreto, analisamos especificamente o Commerzbank e não vemos uma relação direta com os esforços gerais relacionados com a União dos Mercados de Capitais ou a União Bancária, cujo objetivo é aprofundar os mercados financeiros na Europa”, afirmou.
“Esta é uma prioridade do ministro das Finanças, Lars Klingbeil, que também a promove juntamente com seis grandes economias dentro da União Europeia (UE), mas isso não tem qualquer relação com tentativas de uma aquisição hostil do Commerzbank. É preciso separar claramente ambas as questões”, enfatizou.

Bettina Orlopp CEO do Commerzbank | Foto: Commerzbank
Troca de ações na OPA com UniCredit não será prémio para acionistas
A presidente executiva do Commerzbank, Bettina Orlopp, afirmou nesta segunda-feira que a troca de ações no âmbito da oferta pública de aquisição (OPA) do banco italiano UniCredit não representa um prémio para os acionistas do banco alemão.
Orlopp considerou, em comunicado, que a sua prioridade “é criar valor sustentável” para os acionistas e todas as partes interessadas.
“Estamos convencidos da solidez e do potencial da nossa estratégia, que se centra na independência e no crescimento rentável”, acrescentou a presidente executiva (CEO) do Commerzbank.
“Esta iniciativa não foi coordenada connosco, a relação de troca prevista no anúncio não inclui, de facto, um prémio para os nossos acionistas”, disse.
O UniCredit espera uma troca de ações de 0,485 ações do UniCredit por cada ação do Commerzbank, o que corresponde a um preço de 30,8 euros por ação do Commerzbank, ou um prémio de 4% em relação ao preço de fecho de 13 de março de 2026.
A relação de troca da oferta será determinada pela autoridade reguladora alemã BaFin nos próximos dias.
O UniCredit também não indicou como pretende que a transação gere valor, algo necessário para iniciar as negociações, segundo o Commerzbank.
O Conselho de Administração e o Conselho de Supervisão do Commerzbank analisarão cuidadosamente a oferta de aquisição voluntária do UniCredit assim que esta for publicada.
Agência Lusa
Editado por Jornal PT50
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