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BIS pede aos governos que controlem aumento “implacável” da dívida
Diretor-geral do Banco de Compensações Internacionais alerta para o perigo das taxas de juro mais elevadas para a sustentabilidade fiscal de muitos países.
27 Mai 2025 - 08:55
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Agustín Carstens, diretor-geral do Banco de Compensações Internacionais | Foto: BIS
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Agustín Carstens, diretor-geral do Banco de Compensações Internacionais | Foto: BIS
O diretor-geral do Banco de Compensações Internacionais (BIS), Agustín Carstens, apelou esta terça-feira aos governos de todo o mundo para que controlem o aumento “implacável” da dívida pública, alertando que as taxas de juro mais elevadas estão a tornar insustentáveis os caminhos fiscais de muitos países.
Num discurso proferido numa conferência organizada pelo Banco do Japão, em Tóquio, Carstens afirmou que os grandes défices e os níveis elevados de endividamento pareciam sustentáveis quando as taxas de juro se mantinham historicamente baixas, no rescaldo da crise financeira global, refere a agência Reuters. Esse ambiente permitiu que os decisores evitassem medidas impopulares, como cortes na despesa pública ou aumentos de impostos.
Contudo, advertiu: “Os dias das taxas de juro ultra-baixas acabaram. As autoridades fiscais têm uma janela de oportunidade estreita para pôr as contas públicas em ordem antes que a confiança do público nos seus compromissos comece a vacilar”.
Carstens salientou que os mercados financeiros já estão a despertar para a realidade de que muitos trajetos fiscais atuais não são viáveis. “Os mercados podem desestabilizar-se repentinamente se confrontados com desequilíbrios profundos. Por isso, a consolidação orçamental tem de começar agora em muitas economias. Avançar aos solavancos já não é suficiente”, acrescentou.
Os alertas do BIS surgem num contexto de aumento contínuo dos rendimentos da dívida pública nos Estados Unidos, Japão e Europa, impulsionado, em parte, pela perceção de que os governos irão recorrer ao endividamento para financiar novos gastos.
Carstens sublinhou ainda que não se pode esperar que os bancos centrais estabilizem a inflação num horizonte de curto prazo, caso os desequilíbrios fiscais se agravem. O risco de “dominância fiscal” – situação em que a política orçamental condiciona as decisões da política monetária – poderá, segundo o gestor, levar ao aumento da inflação e a fortes quedas nas taxas de câmbio.
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