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Centeno: “O maior problema da Europa é a falta de investimento”

Um dia depois da sua última aparição no Parlamento como governador do Banco de Portugal, Mário Centeno concedeu uma entrevista à cadeia de televisão norte-americana CNBC, onde revelou qual foi o seu momento mais feliz no Banco Central Europeu (BCE)

26 Set 2025 - 15:49

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Na entrevista, concedida esta sexta-feira, Centeno expôs também os seus receios quanto ao futuro da economia europeia e recordou o momento mais marcante nos seus cinco anos no BCE. “O maior problema da Europa é a falta de investimento”, afirmou o ainda governador do Banco de Portugal. Para Centeno, “precisamos de mais investimento para que a economia europeia possa mostrar dinamismo”.

Questionado sobre a política de tarifas dos Estados Unidos, o responsável considerou que a Europa sofrerá inevitavelmente com essa situação: “Uma economia aberta, como a europeia, não pode ficar imune aos movimentos globais”.

Em termos de política monetária, Centeno reiterou a sua convicção de que não é missão do BCE manter a inflação abaixo dos 2%, algo que, segundo o ainda governador do Banco de Portugal, “vai acontecer durante todo o ano de 2026”. “Se existir uma valorização exagerada do euro (que estava nos 1,17 dólares esta sexta-feira), sabemos qual será o impacto ao nível da inflação e do crescimento económico e aí o BCE terá necessariamente de agir”.

Depois de dez anos como ministro das Finanças, presidente do Eurogrupo e governador, Centeno recordou aquele que considera o momento mais significativo da sua passagem de cinco anos pelo BCE: “Foi quando, em outubro de 2022, todos concluímos que a inflação, que estava nos 10,6%, tinha atingido o seu limite e que era necessário tomar medidas para iniciar uma descida, o que veio a acontecer”.

A entrevista surge um dia depois de Centeno ter estado, pela última vez como governador do Banco de Portugal, na Comissão de Orçamento, Finanças e Administração Pública (COFAP), onde reafirmou a sua intenção de permanecer como consultor no Banco de Portugal e defendeu os lucros da banca e a venda do Novo Banco.

Centeno participou em mais de 300 horas de audições parlamentares, enquanto ministro das Finanças e governador, e realizou mais de 100 reuniões com os vários bancos a operar em Portugal.

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