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Cerca de 60% dos portugueses que conseguem poupar abdica de qualquer retorno financeiro

O Banco de Portugal fez um diagnóstico dos conhecimentos e comportamentos financeiros da população portuguesa, cruzando as informações recolhidas no 4.º Inquérito à Literacia Financeira da População Portuguesa (2023) e no módulo do PISA 2022

16 Mar 2026 - 12:00

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Foto: Unsplash/Andre Taissin

Foto: Unsplash/Andre Taissin

Trata-se de um retrato do estado da literacia financeira dos portugueses no início de uma semana em que os diversos reguladores do setor se multiplicam em iniciativas destinadas a estimular um maior e melhor conhecimento da gestão do dinheiro.

No Boletim Económico deste mês, especialistas do Banco de Portugal fizeram um diagnóstico dos conhecimentos, atitudes e comportamentos financeiros da população portuguesa, identificando as principais lacunas existentes. Para o efeito, utilizaram os dados de duas fontes de informação complementares: primeiro, os resultados do 4.º Inquérito à Literacia Financeira da População Portuguesa, enquadrado no 2023 International Survey of Adult Financial Literacy, que abrangeu 1.510 indivíduos; e, seguidamente, os resultados do módulo do PISA 2022 dedicado à literacia financeira dos estudantes de 15 anos, no qual participaram 4.075 alunos portugueses.

Uma das principais conclusões desta análise prende-se com a capacidade de poupança. “Apenas 54,8% dos inquiridos refere ter poupado no ano anterior ao do inquérito (2022). No entanto, entre os que pouparam, uma maioria significativa (59,6%) optou por manter essa poupança na conta à ordem ou em numerário, abdicando de qualquer retorno financeiro”, refere o Banco de Portugal.

Segundo o estudo, “a aplicação da poupança em instrumentos financeiros é predominantemente realizada através de produtos de baixo risco, como depósitos a prazo ou obrigações, que abrangem 33,1% dos inquiridos que pouparam”. Salienta-se ainda que “em contraste, a utilização de instrumentos financeiros mais complexos, com maior potencial de retorno e maior risco, como ações ou fundos de investimento, é residual (7,3%)”.

Outra questão mais diretamente relacionada com os conhecimentos financeiros dos portugueses prende-se com a capacidade de responder a questões práticas do dia a dia. “Apesar de as questões se centrarem em conceitos financeiros essenciais, apenas 13% dos inquiridos em Portugal respondeu corretamente às sete questões básicas (compreensão de juros simples e compostos; cálculo de juros simples; diversificação do risco; valor do dinheiro no tempo; relação entre risco e retorno; definição de inflação; e cálculo de juros sobre um empréstimo), o que compara com 17,9% na área do euro”, refere o estudo.

Por exemplo, “mais de metade dos inquiridos não compreende que geralmente é possível reduzir o risco de investimento no mercado de capitais se for adquirido um conjunto diversificado de ações”.

“Embora quase todos os entrevistados em Portugal (92%) reconheçam que, se emprestarem dinheiro e lhes for devolvida a mesma quantia, isso implica que os juros pagos são nulos, apenas 40% acertaram no saldo, ao final de um ano, de um depósito a prazo de 100 euros com taxa de juro anual de 2% (na ausência de cobrança de comissões e impostos)”, refere o supervisor. Acrescenta ainda que “a percentagem de indivíduos que acertam esta questão e também reconhecem que, se mantiverem o dinheiro e os juros recebidos neste depósito durante cinco anos, ele terá mais de 110 euros, desce para 25%. Considerando apenas os indivíduos que detêm um empréstimo, 61% compreendem o conceito de juros simples e 46% dominam o conceito de juros compostos”.

A avaliação da literacia financeira dos jovens assume particular relevância num contexto em que uma proporção significativa dos estudantes já tem acesso e utiliza instrumentos financeiros no seu quotidiano. De acordo com o módulo de literacia financeira do PISA 2022, 38,1% dos jovens de 15 anos em Portugal detêm uma conta bancária, 27,3% possuem um cartão de pagamento e 18,7% utilizam uma aplicação financeira no telemóvel.

Para além do acesso, a utilização efetiva destes instrumentos é também expressiva. No ano anterior ao do inquérito (2021), 59,6% dos estudantes efetuaram pagamentos com cartão, 33% enviaram dinheiro através do telemóvel, 76% realizaram compras online e 55,1% efetuaram pagamentos recorrendo a aplicações móveis.

Para o Banco de Portugal, “estes resultados indicam que uma parte substancial dos jovens já interage com meios de pagamento digitais e toma decisões financeiras de forma autónoma, ficando também exposta a situações de fraude”.

A instituição considera ainda que “a literacia financeira incentiva a poupança, promove comportamentos prudentes e uma utilização responsável do crédito, contribuindo para prevenir o endividamento excessivo, reforçar a proteção contra fraudes e aumentar a capacidade de resposta a choques inesperados. Em contrapartida, a insuficiência de conhecimentos financeiros pode constituir uma barreira à progressão socioeconómica dos jovens, acentuando desigualdades entre grupos de diferentes contextos familiares e limitando o acesso a oportunidades financeiras”.

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