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Exposição dos bancos supervisionados pelo BCE ao conflito do Médio Oriente é inferior a 1%
Pedro Machado, membro do Conselho de Supervisão do Banco Central Europeu, refere que o teste de stress geopolítico a realizar este ano vai recolher dados sobre a liquidez dos bancos.
05 Mar 2026 - 14:57
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Pedro Machado, membro do Conselho de Supervisão do BCE | Foto: ANGELA MORANT/ECB
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Pedro Machado, membro do Conselho de Supervisão do BCE | Foto: ANGELA MORANT/ECB
A exposição dos bancos supervisionados pelo Banco Central Europeu (BCE) ao conflito no Médio Oriente não ultrapassa 1% do total dos ativos. As contas são feitas por Pedro Machado, membro do Conselho de Supervisão do BCE, que deu uma entrevista à agência Reuters nesta quinta-feira.
O responsável afirmou que o BCE tem acompanhado de perto “as exposições diretas, tanto do lado dos ativos como do passivo, e continuaremos a fazê-lo. A exposição agregada das instituições significativas (ou seja, instituições sob supervisão direta do BCE) a Israel e ao Irão é muito modesta, tanto em termos de empréstimos como de captação de depósitos. Para dar uma ideia da dimensão do problema, as exposições a Israel e ao Irão representam, no geral, cerca de 0,7% do capital CET1 (Common Equity Tier 1) no lado dos ativos e 0,6% do capital CET1 no lado dos passivos”.
Segundo o responsável, “mesmo incluindo os países vizinhos, as exposições são bastante contidas, representando pouco menos de 1% do total de ativos das entidades supervisionadas. Há apenas um país na região onde existem algumas subsidiárias de bancos europeus: a Turquia. Mas não observamos qualquer sinal de preocupação, embora a situação possa mudar rapidamente”.
O conflito com o Irão vai ao encontro das preocupações do BCE relativamente ao aumento das tensões geopolíticas, que constituem a base do teste de stress que o supervisor europeu vai conduzir este ano. Nesse sentido, Pedro Machado esclarece que o “exercício a realizar será orientado para o capital dos bancos. Vamos solicitar informações complementares sobre liquidez e financiamento aos bancos, mas o exercício continua a ser puramente orientado para o capital”.
Um dos pontos desse exercício será o financiamento em dólares dos Estados Unidos. “Se identificarmos desencontros significativos de prazos nas atividades em moeda estrangeira, ou mesmo deficiências na estrutura de testes de stress, reforçaremos os limites, exigiremos o aprimoramento dos modelos e solicitaremos a melhoria do planeamento de contingência”, refere Pedro Machado.
O responsável foi confrontado com os obstáculos que têm impedido o avanço do projeto da União Bancária. Segundo Pedro Machado, “a ausência de um sistema europeu de seguro de depósitos (EDIS) continua a agravar a relação entre governos e bancos, em particular para instituições que operam além-fronteiras através de sucursais e, em certa medida, a promover práticas de segregação de ativos por parte das autoridades nacionais, especialmente nos países onde as subsidiárias estão estabelecidas”.
O problema da fragmentação dos mercados continua a ser um obstáculo importante. “Se analisarmos o crédito hipotecário transfronteiriço ou o crédito a pequenas e médias empresas, veremos que é praticamente inexistente. Isso deve-se às diferenças significativas que ainda existem entre as leis de insolvência, a execução de garantias, as leis de propriedade e os registos imobiliários. Isso impede-nos de ter uma verdadeira atividade de crédito ao consumidor transfronteiriço. A captação de depósitos transfronteiriços também permanece bastante residual”.
Pedro Machado pronunciou-se ainda sobre as críticas da imprensa italiana após a aprovação da operação Mediobanca–Monte dei Paschi, devido a preocupações expressas publicamente sobre a atuação conjunta de dois acionistas.
“Não comentamos casos específicos, e este não é exceção. O que posso dizer, em termos gerais, é que as diretrizes conjuntas da Autoridade Europeia dos Valores Mobiliários e dos Mercados (ESMA) e da Autoridade Bancária Europeia (EBA) fornecem alguns fatores para avaliar se determinados acionistas estão potencialmente a agir em conjunto. Realizamos uma avaliação caso a caso com base nessas diretrizes e na legislação nacional aplicável, mas fazemos isso com base nas informações que são disponibilizadas. Quaisquer informações relevantes provenientes de uma autoridade nacional poderão eventualmente ser tidas em consideração, caso sejam consideradas pertinentes”, referiu o responsável.
Confrontado com as afirmações do CEO do JP Morgan sobre possíveis colapsos no crédito privado e as suas consequências para o sistema financeiro, Pedro Machado respondeu que “no momento, não temos qualquer evidência concreta disso no cenário bancário da zona euro. Acreditamos que, de modo geral, os bancos evoluíram bastante em termos de gestão de riscos. Dito isto, não nos podemos acomodar — e os bancos também não — relativamente a possíveis exposições excessivas a instituições financeiras não bancárias. Talvez essa declaração de Jamie Dimon (CEO do JP Morgan) esteja mais relacionada com o crédito privado nos Estados Unidos. Vemos claramente que esse é um setor menos relevante aqui na zona euro. Mas também existem outras exposições às quais devemos estar atentos”.
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