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Fintech: da euforia bancária à regulação cripto – O cenário financeiro global em rápida mutação

Por Gonçalo Freire · Secretário-Geral, Fundação Alfredo de Sousa | Head of Open Innovation, Swiss Fintech Association

14 Out 2026 - 07:31

4 min leitura

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A notícia de que os grandes bancos de Wall Street tiveram um primeiro semestre ‘blockbuster’ é um ponto de partida interessante para analisar o momento actual do sector financeiro. Este sucesso, impulsionado em parte pelas taxas de juro mais elevadas, contrasta com a incerteza que paira sobre o futuro e com os desafios que outras áreas da fintech enfrentam.

Observamos, por um lado, a consolidação e o crescimento de instituições financeiras tradicionais, que souberam adaptar-se e beneficiar do contexto macroeconómico. Por outro lado, o universo das criptomoedas e da inovação digital apresenta um quadro mais volátil e complexo.

A recente notícia do encerramento da firma de investimento em criptoativos Deus X Capital, com os seus investidores a seguirem estratégias separadas, é um sinal claro desta volatilidade. O mercado de criptoativos, apesar de atrair capital e prometer disrupção, ainda é suscetível a mudanças de sentimento e a reestruturações internas.

Neste cenário, a regulação emerge como um factor cada vez mais determinante. A Grécia, por exemplo, planeia introduzir um imposto de 10% sobre as mais-valias de criptomoedas. Esta medida, que visa aumentar a receita fiscal, reflete uma tendência global de maior escrutínio e controlo sobre este sector emergente.

Paralelamente, a União Europeia avança com a implementação do regulamento MiCA (Markets in Crypto-Assets). A expansão dos serviços de custódia de criptoativos regulados pelo BNY Mellon em toda a UE, sob este novo quadro, demonstra um esforço concertado para trazer maior segurança e clareza ao mercado de ativos digitais.

Esta evolução regulatória não é exclusiva das criptomoedas. A discussão sobre o euro digital, a tokenização de ativos e o papel dos bancos centrais, como abordado por Piero Cipollone, evidencia a necessidade de repensar a própria natureza do dinheiro na era digital. Os bancos centrais estão a explorar como podem manter a sua relevância e garantir a estabilidade num mundo onde as moedas digitais ganham espaço.

No sector da saúde, a segurança é primordial. As perguntas que um CISO (Chief Information Security Officer) de um hospital deve fazer a um fornecedor de fintech na área da saúde sublinham a importância de garantir a proteção de dados sensíveis. A inovação em fintech não pode comprometer a privacidade e a segurança dos pacientes.

Enquanto isto, empresas como a Revolut procuram desafiar os gigantes estabelecidos. O CEO da Revolut, Nik Storonsky, expressou a intenção de competir com nomes como Amex e JPMorgan, oferecendo benefícios semelhantes nos cartões. Isto demonstra que a inovação em serviços financeiros não se limita à tecnologia subjacente, mas também à experiência do cliente e às ofertas de valor.

O que une estas notícias é a profunda transformação que o sector financeiro está a viver. Assistimos a uma coexistência de crescimento robusto em áreas tradicionais, a uma redefinição do papel das moedas e a uma crescente necessidade de regulação para garantir a estabilidade e a segurança. A fintech está a moldar o futuro, mas este futuro será construído sobre bases sólidas de confiança e clareza regulatória.

A perspectiva concreta é que as instituições financeiras, sejam elas bancos tradicionais, novos players de fintech ou emissores de moedas digitais, terão de navegar um ambiente cada vez mais regulado e competitivo. A capacidade de inovar, ao mesmo tempo que se garante a segurança e se cumpre a lei, será o factor decisivo para o sucesso.

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