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Fintechs ambiciosas desafiam a Europa
Por Gonçalo Freire · Secretário-Geral, Fundação Alfredo de Sousa | Head of Open Innovation, Swiss Fintech Association
24 Set 2026 - 07:30
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A notícia de que a Revolut pondera uma dupla listagem em Londres e na Nasdaq é um sinal claro. As fintechs europeias não se contentam com o mercado interno. Procuram o reconhecimento e o capital dos mercados globais.
Esta ambição é visível noutras frentes. A Solana lender Kamino, por exemplo, aposta numa expansão massiva nos EUA com um novo CEO. São movimentos que demonstram uma estratégia agressiva de crescimento.
Paralelamente, o financiamento continua a fluir para empresas promissoras. O grupo japonês SBI apoia a dtcpay numa ronda de 25 milhões de dólares. Isto mostra que o apetite dos investidores por soluções de pagamento inovadoras se mantém forte.
A Europa, contudo, enfrenta os seus próprios desafios. A lista de prestadores de serviços de criptoativos aprovados pela União Europeia, sob o regulamento MiCA, está a crescer. Os bancos europeus representam agora 23% desta lista. Isto indica uma adaptação regulatória, mas também uma necessidade de maior clareza e agilidade.
Aliás, a necessidade de os bancos europeus serem maiores e terem mercados de capitais mais robustos é uma preocupação expressa por altos responsáveis da UE. A comparação com os EUA é frequente. A Europa precisa de criar um ecossistema financeiro mais competitivo.
Neste sentido, a Moldávia dá um passo interessante. A Agência de eGovernança lança o uso de credenciais de identidade digital para serviços bancários, seguindo padrões europeus. É um exemplo de como a infraestrutura digital pode modernizar o acesso a serviços financeiros.
O futuro do euro em espécie também está em discussão. A ideia é que o dinheiro físico continue a ser confiável, mas adaptado às necessidades futuras. A inovação não se limita ao digital. A confiança é um pilar fundamental.
O que estas notícias nos dizem é que o cenário fintech global está em ebulição. As empresas europeias têm a tecnologia e a ambição para competir. O desafio reside em criar um ambiente regulatório e de mercado que lhes permita prosperar e expandir-se sem barreiras desnecessárias. A Europa tem de acelerar a sua própria transformação para não ficar para trás.
O caminho passa por uma maior integração de mercados, um quadro regulatório mais harmonizado e um incentivo à inovação que não sacrifique a segurança. A expansão da Revolut e a aposta da Kamino nos EUA são um espelho do que a Europa precisa de potenciar internamente. A meta é clara: ser um polo de atração e desenvolvimento para as fintechs de ponta.
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