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Frank Elderson: “Se continuarmos a destruir a natureza, continuamos a destruir a atividade económica”
O vice-presidente do Conselho de Supervisão do BCE reiterou que é necessário incluir o risco da natureza nas contas das empresas e, nomeadamente, dos bancos.
10 Mar 2026 - 13:29
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O vice-presidente do Conselho de Supervisão do Banco Central Europeu, Frank Elderson, apelou, nesta segunda-feira, no plenário anual da Network for Greening the Financial System (NGFS), a que os agentes do setor económico incluíssem a natureza e a deterioração da mesma nas suas contas, no que diz respeito à averiguação do risco. O dirigente do BCE deixou ainda uma mensagem clara: “se continuarmos a destuir a natureza, continuamos a destruir a atividade económica”.
Elderson aproveitou ainda a sua intervenção para elogiar a presença dos vários estados na reunião plenária, “numa altura em que alguns questionam o valor da cooperação internacional”. “Isto é a prova do significado inegável das crises climática e da natureza para a economia e para o sistema financeiro”, acrescenta.
No que diz respeito ao impacto da natureza na economia, Elderson nota que o Banco Mundial estima que cerca de metade do PIB mundial depende da biodiversidade, capital da natureza ou serviços do ecossistema. “Na Zona Euro, perto de 75% dos empréstimos empresariais dos bancos são concedidos a empresas que são altamente dependentes de pelo menos um serviço de ecossistema”, indica.
A título de exemplo, Elderson aponta que mais de metade da medicação essencial depende de plantas e outros recursos naturais. Neste sentido, critica o comportamento destrutivo para com a natureza, quando esta “nos sustenta”. “Estamos a gerar um défice ecológico ao utilizar os recursos naturais 1,7 vezes mais rápido do que os ecossistemas conseguem regenerá-los”, alerta.
Mais ainda, reitera, “uma natureza degradada também impede a nossa capacidade de mitigar a crise climática, bem como a capacidade de adaptação aos seus efeitos. Uma natureza saudável age como a nossa primeira linha de defesa contra o aquecimento global e outros fenómenos climáticos extremos relacionados”. Aqui refere os terrenos nas margens dos rios que agem como esponjas para armazenar o excesso de água e proteger infraestruturas urbanas, por exemplo.
A incorporação do risco da natureza nas empresas e supervisores
Numa ótica mais pragmática, Elderson explica que a degradação da natureza, ao ritmo atual, vai afetar ainda mais as receitas das empresas. Isto, por consequência, vai impedir os pagamentos de prestações de crédito pelas mesmas, o que, por sua vez, vai levar a uma deterioração das folhas de balanço da banca e, em última instância, colocar em risco a estabilidade financeira.
Perante este cenário, vários supervisores em todo o mundo já avançaram no sentido de incorporar riscos relacionados com a natureza na sua supervisão, destaca. Dá o exemplo da Hungria, onde está em curso um projeto que pretende mapear os riscos financeiros de uma biodiversidade em declínio.
Sobre a atuação do NGFS, o vice-presidente do Conselho de Supervisão revela que a instituição vai publicar, ainda em março, um guia que inclui “recomendações claras criadas para ajudar supervisores e instituições financeiras a lidar com riscos relacionados com a natureza. “Além de fornecer conselhos práticos sobre métricas, dados e monitorização de riscos, o guia também enfatiza a importância de ferramentas prospetivas, como análises de cenários e testes de stress”, descreve.
Olhando para o progresso do panorama bancário, Elderson lembra que, em 2022, cerca de 40% dos bancos da Zona Euro não tinha uma abordagem definida para gerir os riscos relacionados com a natureza. Hoje em dia, 75% das instituições tem abordagens quantitativas para averiguar estes riscos como parte da sua análise material.
Contudo, “apesar deste progresso, a maioria dos bancos ainda não vincula de forma sistemática a sua avaliação de materialidade a uma resposta de gestão de risco – é evidente que há ainda muito trabalho a ser feito para passar da consciência do risco para a preparação para o risco”. “Para apoiar ainda mais os bancos, também incluiremos boas práticas sobre riscos relacionados com a natureza no compêndio atualizado que será publicado em maio deste ano”, revela.
Mais ainda, Elderson anuncia que, nos próximos meses, vai ser publicada uma investigação que analisa de forma detalhada quanto as carteiras de crédito se vão deteriorar no setor económico mais afetado pelo declínio dos ecossistemas.
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