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Governador do Banco de Espanha adverte que alguns dos piores cenários “estão a materializar-se”
José Luis Escrivá considera que as políticas dos EUA podem pôr em causa o estatuto do dólar como moeda de reserva e de refúgio. E que o euro poderia emergir como alternativa mais atrativa.
09 Abr 2025 - 16:58
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José Luis Escrivá, governador do Banco de Espanha
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José Luis Escrivá, governador do Banco de Espanha
O Banco Central Europeu enfrenta um ambiente económico em que “alguns dos piores cenários que tínhamos identificado se estão a materializar”, adverte José Luis Escrivá, governador do Banco de Espanha e membro do Conselho do Banco Central Europeu (BCE).
Em declarações ao Financial Times nesta quarta-feira, divulgadas no site do Banco de Espanha, antes da decisão do banco sobre a taxa de juro na próxima semana, Escrivá alertou para o facto de as tarifas impostas por Donald Trump estarem a desencadear um “choque negativo muito significativo na atividade económica”. E sugeriu que as políticas dos EUA poderiam pôr em causa o estatuto do dólar como moeda de reserva e de refúgio.
Escrivá considera que as consequências exatas das tarifas, incluindo as recíprocas que entraram em vigor nesta quarta-feira, são “ainda incertas”, acrescentando que os reguladores estão a “acompanhar de perto”.
O governador refere também que o impacto na inflação da zona euro “dependerá, entre outros fatores, da resposta europeia em termos de retaliação comercial e, eventualmente, de uma política fiscal mais expansionista”.
Escrivá sugeriu que os investidores internacionais poderão reavaliar o papel do dólar norte-americano. Argumentou que os acordos multilaterais e as regras que promoveram os fluxos comerciais sustentaram o “papel central” da “economia dos EUA, do dólar americano e dos mercados financeiros norte-americanos” nas últimas décadas.
“Os agentes económicos e as autoridades em todo o mundo estão agora a reavaliar o que significam as mais recentes políticas dos EUA para muitos desses elementos, e há razões para duvidar de que alguns deles continuem a desempenhar um papel global tão relevante no futuro”, afirmou.
Escrivá sugeriu que o euro poderia emergir como uma alternativa mais atrativa. “Podemos oferecer uma área económica muito vasta e uma moeda sólida, que beneficiam da estabilidade e previsibilidade resultantes de políticas económicas sólidas e do Estado de direito”.
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