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Governador do Banco de França diz que o problema da dívida “tem que ser absolutamente resolvido”

François Villeroy de Galhau afirma que voltar atrás na independência dos bancos centrais “é brincar com a democracia”

27 Ago 2025 - 11:08

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François Villeroy de Galhau, governador do Banco de França | Foto: Jérémy Barande/Wikimedia

François Villeroy de Galhau, governador do Banco de França | Foto: Jérémy Barande/Wikimedia

A menos de um mês da votação da moção de confiança (marcada para 8 de setembro) apresentada pelo primeiro-ministro francês, François Bayrou, o governador do Banco de França concedeu uma entrevista ao jornal Sud-Ouest, na qual abordou a questão da dívida pública e do défice francês, a independência dos bancos centrais e as tarifas alfandegárias impostas pelos Estados Unidos.

“Os problemas da dívida pública (que se situava em 113% do Produto Interno Bruto (PIB) no final de 2024, com Bruxelas a prever que atinja 116% do PIB este ano e 118,4% em 2026) e dos défices têm de ser absolutamente resolvidos. Caso contrário, o pagamento de juros sufocará cada vez mais a nossa capacidade orçamental e deixaremos um fardo insuportável para os nossos filhos”, afirmou Villeroy de Galhau.

O responsável acrescentou que, no segundo trimestre do ano, a economia francesa registou um crescimento de 0,3% e que, segundo as previsões do Banco de França, deverá manter-se no mesmo nível no terceiro trimestre.

Sobre a independência dos bancos centrais – questionada mais uma vez esta semana após a decisão do presidente norte-americano, Donald Trump, de demitir a governadora da Reserva Federal (FED), Lisa Cook – o governador do Banco de França considerou que “a independência dos bancos centrais é aquilo que as democracias quiseram. Recuar nesse ponto é brincar com a democracia”, acrescentando que “além disso, um banco central independente garante um combate mais eficaz à inflação”.

François Villeroy de Galhau elogiou ainda o presidente da FED, afirmando que “um banqueiro central deve dizer a verdade sobre a situação económica e assegurar a estabilidade de preços. O presidente da FED, Jay Powell, é um banqueiro central que desempenha essa função de forma admirável”.

Comentando a política de tarifas alfandegárias promovida por Trump, o governador do Banco de França sublinhou que “o protecionismo americano só criará perdedores, incluindo os próprios Estados Unidos, que sofrerão com mais inflação e menos crescimento económico”.

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