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Governador do Banco de Inglaterra não quer complacência na análise do crédito privado
Andrew Bailey recorda a crise de 2008 para reafirmar a necessidade de uma vigilância apertada face às recentes falências de empresas alavancadas neste tipo de crédito.
01 Abr 2026 - 17:31
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Maria Luís Albuquerque e Andrew Bailey
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Maria Luís Albuquerque e Andrew Bailey
O governador do Banco de Inglaterra, Andrew Bailey, alertou nesta quarta-feira contra a ideia de descartar as recentes falências de empresas alavancadas em crédito privado como incidentes isolados, afirmando que a falta de transparência deste setor pode amplificar choques de uma forma que recorda a crise financeira de 2008.
Bailey fez estes comentários — os mais contundentes até ao momento sobre os riscos do crédito privado, isto é, empréstimos a empresas por instituições financeiras não bancárias, como fundos de private equity e gestores de ativos — numa entrevista à agência Reuters.
Em fevereiro, a empresa britânica de crédito imobiliário Market Financial Solutions (MFS) entrou em colapso, após a falência, em 2025, da fornecedora norte-americana de peças automóveis First Brands e da concessionária automóvel Tricolor, que também faliu nesse ano. Alegações de fraude ou má gestão foram feitas nos três casos.
As falências abalaram os investidores e alimentaram preocupações sobre os padrões de concessão de crédito em mercados mais amplos, gerando debate sobre se os problemas num mercado de aproximadamente 1,7 biliões de euros são casos isolados ou se poderão transformar-se num risco sistémico.
Em declarações na sede do banco central britânico, em Londres, Bailey afirmou que uma característica fundamental do crédito privado é a sua “considerável opacidade”. Essa falta de transparência pode transformar falhas aparentemente isoladas em problemas mais generalizados, caso os investidores comecem a suspeitar que os problemas são mais disseminados do que anteriormente se pensava.
Embora o mercado doméstico de crédito privado no Reino Unido seja menor do que o dos Estados Unidos, os riscos não podem ser analisados isoladamente devido à natureza global do sistema financeiro, acrescentou.
O governador mostrou-se contra a complacência neste mercado: “Muitas pessoas disseram-me que se trata de casos de fraude, algo peculiar… e que não devemos dar demasiada importância. Bem, isso é uma questão de opinião”, afirmou.
“Por momentos, isto faz-me lembrar a crise financeira de 2008”, disse Bailey, recordando como os supervisores se concentraram inicialmente em perceber se os problemas associados às hipotecas subprime nos EUA eram suficientemente sistémicos para desencadear uma crise generalizada. “Na altura, muitas pessoas defenderam que se tratava de um problema isolado… em retrospetiva, isso não se revelou uma boa avaliação”, acrescentou.
Em dezembro, o Banco de Inglaterra lançou um teste de stress inédito para o setor do crédito privado, com o objetivo de analisar as interligações com o sistema bancário e avaliar se estas agravam os riscos para a estabilidade financeira.
Como as empresas de crédito privado não são reguladas pelo banco central do Reino Unido, a participação no exercício é voluntária.
Bailey afirmou que as empresas têm sido muito cooperantes e que o setor está “ansioso por participar neste processo”. O Banco de Inglaterra vai publicar os nomes das empresas participantes amanhã, tendo já anunciado que divulgará as conclusões preliminares do teste em meados do ano.
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