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Há menos portugueses a pagar a tempo e horas

Estudo da Intrum mostra que a percentagem de cidadãos que conseguem pagar as suas contas dentro dos prazos caiu de 85% em 2024 para 77% em 2025.

20 Nov 2025 - 14:07

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Foto: Unsplash

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A Intrum, empresa europeia líder em serviços de gestão de crédito, divulgou nesta quinta-feira o seu Relatório Europeu de Pagamentos do Consumidor 2025 (European Consumer Payment Report – ECPR). O estudo, baseado num inquérito a vinte mil consumidores em vinte países europeus, revela que, no geral, os consumidores estão a recuperar a confiança na sua capacidade de pagar contas e suportar despesas.

A percentagem de consumidores que paga as suas contas dentro do prazo tem vindo a aumentar de forma consistente, atingindo 76% em 2025, face a 74% em 2024 e 63% registados há dois anos.

No caso português, porém, a tendência parece ser inversa. Cerca de 77% dos consumidores afirmam conseguir pagar todas as contas a tempo – um valor ligeiramente acima da média europeia (76%). No entanto, este valor representa uma descida significativa em relação aos 85% registados em 2024, sinalizando um possível impacto da pressão financeira nas famílias portuguesas.

Luís Salvaterra, Diretor-Geral da Intrum Portugal, sublinha que «apesar do contexto desafiante, os portugueses continuam a destacar-se pelo seu compromisso com a responsabilidade financeira. Ainda assim, o recuo face a 2024 é um alerta: há segmentos da população a sentir a pressão dos encargos mensais, o que deve ser acompanhado de perto por todos os atores económicos e sociais. No entanto, em termos globais, a melhoria na capacidade de pagar contas a tempo representa uma tendência positiva clara e reforça que o impulso está a ir na direção certa. Ao mesmo tempo, vemos que muitos consumidores continuam presos em “modo de sobrevivência” – hesitantes em investir ou gastar, marcados por anos de volatilidade económica».

Os dados do estudo mostram também que a Geração Z (nascidos entre 1997 e 2012) enfrenta maiores dificuldades do que outros consumidores europeus. Mais de um terço destes jovens (36%) falhou o pagamento de uma ou mais contas no último ano, contra 24% da média geral, e 63% admitem que esta situação é recorrente.

Em 2025, 52% dos jovens europeus que falharam pagamentos dizem não ter tido dinheiro suficiente para cumprir as suas obrigações, face a apenas 20% em 2024. A presença das redes sociais na vida destes consumidores também influencia os seus hábitos financeiros: 31% referem que tentar replicar o estilo de vida de influenciadores os levou ao endividamento, e 54% reportam impactos negativos na sua saúde mental.

O estudo da Intrum identifica ainda uma mudança na forma como os consumidores se relacionam com a tecnologia. Apenas 18% dizem recear que a inteligência artificial substitua os seus empregos, e somente 30% afirmam fazer mais compras por impulso do que há dois anos (face a 45% em 2024). A influência das redes sociais está também a ser questionada: 70% consideram que estas promovem expectativas financeiras irreais.

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