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Há menos portugueses a pagar as contas a tempo e horas

46% dos jovens da Geração Z dizem não ter fundos suficientes para cumprir as suas obrigações.

19 Dez 2025 - 10:30

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Foto: Adobe Stock/Prostock-studio

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O Relatório Europeu de Pagamentos do Consumidor 2025 (ECPR) revela que há menos portugueses a conseguir cumprir os seus compromissos financeiros dentro dos prazos estabelecidos. O documento, elaborado pela Intrum e divulgado esta semana, mostra um agravamento da desigualdade financeira entre os consumidores portugueses, que se reflete no incumprimento das suas obrigações.

Em 2025, a percentagem de consumidores portugueses que não receberam os seus salários quase duplicou, passando de 12% em 2024 para 21% em 2025. Os homens são mais afetados do que as mulheres (26% contra 16%) e, em termos regionais, o Alentejo (55%) e a Área Metropolitana de Lisboa (22%) destacam-se como as regiões mais impactadas.

No entanto, a principal razão apontada para o incumprimento continua a ser a falta de dinheiro disponível, com um impacto particularmente severo na Geração Z — pessoas nascidas entre meados da década de 1990 e o início da década de 2010 —, em que 46% afirmam não dispor de fundos suficientes para pagar as suas contas. O atraso ou a ausência no pagamento de salários quase duplicou num ano, afetando sobretudo homens e residentes no Alentejo e na Área Metropolitana de Lisboa.

O ECPR 2025 indica que, em média, a situação financeira dos consumidores está a melhorar na Europa. A percentagem de europeus que pagam todas as suas contas dentro dos prazos aumentou de 63% em 2023 para 76% em 2025.

Em Portugal, contudo, observa-se uma evolução distinta: 77% dos consumidores confirmam ter pago todas as contas dentro dos prazos em 2025, face a 85% em 2024, o que representa uma deterioração significativa. A análise regional mostra o Centro a destacar-se pela positiva, com 84%, enquanto o Alentejo apresenta o valor mais baixo, com apenas 46% dos consumidores a conseguirem cumprir os prazos. Na Área Metropolitana de Lisboa, esta percentagem situa-se nos 78%.

Relativamente às razões para o incumprimento, o estudo realizado em 2024 indicava que os consumidores que não pagaram as suas contas eram mais propensos a afirmar que simplesmente se tinham esquecido (29%), apesar de terem capacidade financeira para o fazer. Em 2025, este valor registou uma ligeira descida, para 27%.

Enquanto 89% dos consumidores com rendimentos acima da média se sentem confiantes na sua capacidade de pagar todas as contas dentro dos prazos, apenas 36% dos consumidores com rendimentos mais baixos partilham essa confiança. A capacidade de absorver uma despesa inesperada de 400 euros desce para 33% neste grupo, muito abaixo da média europeia, que é de 52%.

O ECPR 2025 evidencia ainda que quase dois terços dos consumidores portugueses (62%) consideram que o aumento do custo de vida nos últimos anos teve um impacto negativo permanente no seu bem-estar financeiro, um valor bastante superior à média europeia, situada nos 43%.

A nível geracional, o impacto do aumento do custo de vida é mais sentido pela Geração Z (69%), seguida da Geração X (68%). Em termos regionais, o Alentejo, os Açores e a Madeira registam as percentagens mais elevadas (67%), seguidos da Área Metropolitana de Lisboa (65%).

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