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Incerteza deixou de ser um tabu na comunicação dos bancos centrais

Relatório do Banco de Pagamentos Internacionais mostra como os supervisores deixaram de ter medo de falar das “incertezas” quando divulgam a sua política económica.

17 Mar 2026 - 07:30

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Christine Lagarde, presidente do BCE/Fonte: BCE

Christine Lagarde, presidente do BCE/Fonte: BCE

Na semana em que o Banco Central Europeu (BCE) divulgará as suas decisões de política monetária sobre a evolução das taxas de juro, o Banco de Pagamentos Internacionais (BIS), considerado o banco central dos bancos centrais, publicou um relatório sobre como a “incerteza” passou a dominar os discursos dos governadores um pouco por todo o mundo — e quais são os melhores instrumentos para evitar que essa incerteza perturbe a mensagem que se pretende transmitir relativamente às prioridades da política económica.

Quando, na próxima quinta-feira, a presidente do BCE, Christine Lagarde, der a sua conferência de imprensa anunciando as decisões de política monetária para a Europa — em particular o movimento das taxas de juro — deverá utilizar uma expressão que tem repetido como um mantra nas suas últimas intervenções: The ECB is data-dependent” (o BCE está dependente da informação mais recente).

Esta “incerteza”, que tem vindo a condicionar as decisões do BCE, tem assumido cada vez mais importância, quer nos discursos dos governadores, quer nos relatórios produzidos pelos bancos centrais.

“A comunicação da política monetária tornou-se mais desafiadora nos últimos anos em resultado de choques sem precedentes (como a pandemia de Covid-19) e do aumento das tensões geopolíticas. Como consequência, os bancos centrais têm dado maior ênfase à incerteza nas suas comunicações públicas. Enquanto em 2006 a maioria das declarações de política monetária não mencionava a incerteza, em 2025 a proporção de palavras relacionadas com a incerteza nessas declarações subiu para cerca de 15%”, refere o trabalho do Bank for International Settlements, acrescentando que “da mesma forma, a proporção de discursos de responsáveis de bancos centrais que mencionam a incerteza como tema central aumentou para cerca de 40%”.

Isto faz com que a comunicação dos bancos centrais sobre o futuro se esteja a tornar mais complexa num contexto de elevada incerteza, especialmente quando as implicações de possíveis desenvolvimentos são difíceis de quantificar, refere o estudo.

Declarações definitivas sobre a evolução da economia estarão muitas vezes erradas. “No entanto, dar uma ênfase excessiva à incerteza pode obscurecer a compreensão do público sobre as perspetivas dos decisores de política relativamente à evolução da economia”, defende o BIS.

Para o supervisor dos supervisores, “a elevada incerteza pode contribuir para grandes erros de previsão e aumenta a probabilidade de que as orientações de política tenham de ser corrigidas à medida que as condições mudam, com custos para a reputação e a credibilidade do banco central. Por outro lado, uma elevada incerteza pode aumentar o valor de esclarecer a função de reação do banco central, reduzindo assim a incerteza sobre a forma como responderá aos desenvolvimentos económicos”.

O trabalho do BIS documentou a evolução das abordagens de comunicação dos bancos centrais nos últimos 20 anos, com base em novos dados recolhidos manualmente de 25 bancos centrais (incluindo o BCE) que operam sob regimes de metas de inflação ou políticas semelhantes. “Com base em declarações e relatórios de política monetária publicados, identificámos as principais ferramentas utilizadas para lidar com a incerteza em torno das perspetivas económicas e para influenciar a incerteza em torno das perspetivas de política monetária”, refere a instituição.

As principais conclusões do trabalho apontam para que “a natureza elevada e em rápida mutação da incerteza nos últimos anos afetou a forma como os bancos centrais comunicam a incerteza em torno das perspetivas económicas e da resposta da política monetária”.

“Cada vez mais bancos centrais estão a utilizar cenários para ilustrar as implicações de riscos específicos, além de ferramentas tradicionais como gráficos de leque e discussões qualitativas sobre riscos.”

Por último, “os bancos centrais estão a fornecer orientações de política menos descritivas e, cada vez mais, estão a publicar as suas próprias projeções para as taxas de juro, frequentemente no contexto de cenários alternativos”.

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