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Joachim Nagel: “Chegou o momento de os bancos centrais disponibilizarem um complemento digital ao numerário”
Presidente do Bundesbank alerta para os riscos das stablecoins e defende o reforço das regras para a sua comercialização
23 Set 2025 - 10:18
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Joachim Nagel, presidente do Bundesbank | Foto: Bundesbank
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Joachim Nagel, presidente do Bundesbank | Foto: Bundesbank
O presidente do banco central alemão – Bundesbank – defende a disponibilização imediata de um “euro digital”, pelo menos na sua versão grossista, que permita o processamento de transações entre instituições financeiras em moeda de banco central. Joachim Nagel, que falava perante um conjunto de gestores alemães numa iniciativa da Fundação Friedrich Ebert realizada na segunda-feira, em Frankfurt, afirmou ainda que as stablecoins “estão, de facto, associadas a riscos” e que é necessário reforçar a sua regulamentação.
“Na minha opinião, chegou o momento de os bancos centrais disponibilizarem um complemento digital ao numerário. As necessidades e preferências das pessoas mudaram. A tendência é pagar cada vez menos em numerário. No entanto, continuam a valorizar as características do dinheiro físico, como a proteção da privacidade. O euro digital respeitaria os mais elevados padrões de proteção de dados e de privacidade. Além disso, incluiria uma solução offline, utilizável sem ligação à internet ou em caso de falhas técnicas”, afirmou o responsável.
Para Nagel, “a infraestrutura pública do euro digital poderia servir de base para a inovação por parte de bancos e outros prestadores de serviços de pagamento. Até agora, o numerário é o único meio de pagamento europeu acessível e aceite em toda a área do euro. Nos pagamentos eletrónicos, dependemos muitas vezes de um pequeno número de empresas extraeuropeias”, acrescentando que a adoção da moeda digital “tornaria a Europa mais independente numa infraestrutura crítica. Perante as crescentes tensões e incertezas geopolíticas, isso parece mais importante do que nunca”.
Em relação aos criptoativos, a opinião do presidente do Bundesbank é mais céptica. Nagel citou o relatório anual do Banco de Pagamentos Internacionais, que refere, a propósito desses ativos digitais: “as stablecoins cumprem de forma insuficiente os princípios básicos de uma moeda estável e, sem regulação, representam um risco para a estabilidade financeira e para a preservação da soberania monetária”. Perante estas conclusões, Joachim Nagel sublinha que “as stablecoins estão, de facto, associadas a riscos. Uma perda de confiança poderia originar resgates maciços e vendas rápidas (fire sales) dos ativos de reserva — com repercussões nos mercados monetários e obrigacionistas. E sim, tais criptoativos não devem expandir-se de forma descontrolada. Na Europa, foi criado, com o Regulamento MiCA (UE) 2023/1114 — que procura estabelecer um ‘criptopassaporte’ para a zona euro —, um quadro regulatório para criptoativos, incluindo stablecoins. Sempre que necessário, será preciso reforçar estas regras”.
Ainda assim, apesar dos riscos, o presidente do Bundesbank também reconhece oportunidades na comercialização destes ativos digitais: “em determinados contextos, como nas já referidas transações imediatas e automatizadas de entrega contra pagamento, podem acrescentar valor e complementar de forma útil as estruturas existentes. No conjunto, as condições de enquadramento devem permanecer favoráveis à inovação”.
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